Opinião

Assassinato em Itabaiana está banalizado

O que aparenta é que matar é normal e que nada acontece com quem matou.
por Redação do Portal Itnet
17/11/2015 05:55h
Atualizado em 17/11/2015 06:46h

A prática de assassinato em Itabaiana (SE) está totalmente banalizada. Todos os dias escutamos que mataram fulano aqui, mataram cicrano ali, e a resposta é: mataram mais um bandido.

Como assim? A prática de assassinato agora é julgada pelos antecedentes? Quem matou é bandido e também vai morrer? Então aqui é terra sem lei?

No dia a dia ninguém acredita na resposta da polícia, ninguém acredita na prática da justiça dos homens. Isso é, sem dúvida, o principal motivo da impunidade.

A polícia culpa o tráfico de drogas e esquece que coibir o tráfico é responsabilidade dela. Não há controle nenhum, nada acontece, o tráfico é tão natural quanto escovar os dentes.

A justiça, me desculpem as autoridades, mas do lado de cá da sociedade mostra uma fraqueza estúpida. O setor judiciário, para a sociedade, solta o pouco que a polícia prende. É assim que a sociedade enxerga. No geral, estamos sem rumo, sem executivo e sem judiciário, e o que sobra é o legislativo. Mas os vereadores estão fazendo o que? E o que eles podem fazer além de falar? Os deputados estão fazendo o que? Será que querem fazer? Estamos perdidos! Vou terminar com a mesma frase: o crime em Itabaiana está banalizado.

Jamyson Machado, é sociólogo e usou o conceito de fato social em Durkheim para produzir essa matéria.Veja a explicação, usando o fato social em Durkheim.

Para a sociedade de Itabaiana os crimes são fatos tão normais quanto vestir roupa, quanto trabalhar, por isso ela convive com isso, mesmo que de modo assustado, porém com normalidade. Em algumas sociedades não existe crime há mais de 10 anos, e um fato isolado de assassinato na cidade causa uma revolução assombrosa dentro do meio social.

O crime foi adotado pelos cidadãos de Itabaiana como cura social de um problema muito maior, ele se mostra necessário do ponto de vista social, e inexplicavelmente aceito como fato comum dentro da arbitrariedade. Isso é um poderoso perigo social.

Generalizada, a criminalidade se tornou comum, mas tão comum, que perdeu a noção da gravidade. Nóos estamos em uma cidade de quase 100 mil habitantes, com índices que dobram as estatísticas do Rio de Janeiro. Assustador, entretanto, normal.

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