Saúde Legal

Excesso de tristeza antes da menstruação pode ser sinal de doença

2 a 10% das mulheres que menstruam sofrem de transtorno depressivo.
por Jeferson Machado
03/01/2016 20:02h

Sentir-se mal-humorada, impaciente, triste, ansiosa e inchada alguns dias antes da menstruação é muito comum à maior parcela das mulheres. Uma a cada três mulheres sofrem de TPM, tensão pré-menstrual, período cíclico que precede a menstruação e que conta com sintomas físicos e psíquicos a exemplo dos citados acima.

Porém, algumas mulheres apresentam alterações bem mais intensa que em uma TPM "normal", chegando a ter comportamentos irreconhecíveis, tais como ataques de fúria, crises de ansiedade, insônia ou sono exagerado, crises de choro, tristeza profunda, falta de apetite e falta de ânimo para executar qualquer atividade.

Em 2013, a 5ª edição do Manual Diagnóstico e Estatístico dos Transtornos Mentais (DSM5) passou por uma reformulação incluindo e subtraindo algumas doenças em sua classificação. Uma das adicionadas à lista é um transtorno chamado TDPM (Transtorno Disfórico Pré-Menstrual). De acordo com a Associação Americana de Psiquiatria, entre 2% e 10% das mulheres que menstruam sofrem de TDPM. E, por incrível que pareça, essa porcentagem varia de acordo com as condições sociais em que a mulher se encontra, não se tratando apenas de fatores hormonais como antes pensado.

Excesso de tristeza antes da menstruação pode ser sinal de doença

Algumas portadoras da TDPM relatam sentir-se outra pessoa antes da menstruação: muita irritação, perdem o controle de si e até mesmo com pensamentos suicidas. Sendo que todos os sintomas desaparecem logo que a menstruação cessava, acompanhados de um arrependimento e questionamento sobre o comportamento anterior.

Por se tratar de uma associação de variáveis: baixos níveis de estrógenos, altos níveis de progesterona, baixos níveis de dopamina, e fatores sociais e ambientais, determinar a causa exata ainda é um desafio para a ciência. A hipótese mais aceita até então é que algumas mulheres já nascem com uma predisposição genética para uma TPM "mais intensa".

Mas nem toda TPM pode ser uma TDPM. É preciso que os sintomas se repitam por no mínimo dois ciclos consecutivos para se começar a avaliar a possibilidade da doença, com o acompanhamento ginecológico e psicológico. A doença é classificada como um transtorno depressivo, e seu diagnóstico é muito subjetivo.

Para quem já tem a doença diagnosticada o tratamento é simples e bastante eficaz. Em alguns casos o uso de pílulas anticoncepcionais resolvem os sintomas por equilibrarem os níveis hormonais. Em outros, o uso de antidepressivos também são bastante eficazes. Existem relatos de sucesso de mulheres que utilizam as pílulas antidepressivas somente durante o período da ovulação (10 a 14 dias), para combater os sintomas da TDPM. Terapias alternativas e técnicas der relaxamento também mostraram resultados bastante positivos em situações de TPM fora do controle.

Consulte o seu ginecologista pelo menos uma vez por ano e converse com o mesmo sobre a sua TPM. Seu sofrimento pode ser evitado de forma fácil e sem complicações.

Jeferson Machado Santos.CRF-SE: 658.

Farmacêutico pela Universidade Federal de Sergipe - UFS.Habilitação em Bioquímica Clínica pela Universidade Federal de Sergipe - UFS.Especialista em Administração de Empresas pela FIJ-RJ.Especialista em Farmacologia e Interações Medicamentosas pela Uninter-IBPEX.

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