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Maternidade de Itabaiana (SE) poderá ser fechada a partir de 1º de maio

Com prejuízos avaliados em mais de R$ 1 milhão e 500 mil, direção da instituição beneficente alega que o Município, que é gestor do SUS, não tem feito repasse de valores oriundos da própria receita. Estado também tem deixado de cumprir seu papel.
por Redação do Portal Itnet
29/02/2016 09:47h
Atualizado em 29/02/2016 10:15h

Maternidade de Itabaiana (SE) poderá ser fechada a partir de 1º de maio

Direção luta para reverter quadro, mas manutenção e funcionamento da instituição está inviável.

Foto: Reprodução

Por Iane Gois

Referência na prestação de serviços cirúrgicos e de obstetrícia em Itabaiana (SE) e regiões circunvizinhas, o Hospital e Maternidade São José está com os dias de atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS) contados, segundo nota encaminhada pela direção da unidade à imprensa.

Integrando a história da saúde pública no município serrano há 57 anos, enquanto instituição beneficente, o hospital passa por dificuldades financeiras que inviabilizam o seu funcionamento e manutenção, em virtude de prejuízos mensais avaliados em R$ 200 Mil, montante que já soma um déficit superior a R$ 1.500.000,00.

Segundo a direção, o contrato firmado com o Município, que é gestor do SUS, não passa por reformulação de valores desde janeiro de 2010, ainda que tendo havido reajustes significativos nos mais distintos segmentos da economia com ausência, nos últimos anos, de repasse de valores oriundos da própria receita.

"O IGPM dos últimos cinco anos promoveu uma atualização em outros contratos, um percentual de 31, 84%, e no último período de Jan/2015 a Dezembro/2015 foi de 10,54%, no entanto esta atualização não chegou ao contrato do Hospital e Maternidade com o Município", destaca a direção na nota.

Outra causa do déficit, ainda segundo o relatório, está no corte de R$ 25 Mil do repasse referente a setembro de 2015, por parte do Estado, bem como ao não repasse total durante os meses subsequentes de 2015, se estendendo a omissão até janeiro do ano corrente, conforme discriminado no documento.

"O Estado, que repassava só R$ 44.000,00 (quarenta e quatro mil reais) por mês, reteve sem justificativa ou previa comunicação R$ 25.000,00 (vinte e cinco mil reais) relativo ao mês de setembro e não repassou os inerentes a outubro, novembro, dezembro/2015 e janeiro/2016".

Com uma prestação quantificada em 12 mil procedimentos somente ao longo de 2015, a direção da Casa de Saúde busca recursos a fim de evitar que a população carente sofra as consequências diretas da possível reestruturação, bem como os mais 150 profissionais que poderão ser dispensados do serviço, mas alega a inviabilidade na continuidade da assistência.

Notificado, o Ministério Público convocou audiência para esta quarta-feira (2) com representantes de todos os segmentos envolvidos. Não sendo encontrados possíveis recursos, está previsto para 30 de abril o fechamento das portas do Hospital e Maternidade São José.

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