Policial

\"Chega de mães enterrando seus filhos\", Georgeo Passos

Sergipe é o 4º maior índice de homicídios do Brasil.
por Redação do Portal Itnet
29/03/2016 13:53h

Georgeo Passos*

Em um País que vive uma escalada da violência, uma triste cena se tornou comum: a de mães que são obrigadas a sepultar seus filhos precocemente, vítimas de assassinatos. Diante dos dados oficiais, verifica-se um aumento significativo nos homicídios que tem como vítimas pessoas na faixa etária entre 15 e 29 anos - principalmente negros, sem escolaridade e de baixa renda.

"Chega de mães enterrando seus filhos", Georgeo Passos

Além do impacto social, estudos do IPEA demonstram que em 2014 os homicídios nesta faixa etária custaram ao Brasil cerca de R$ 88 bilhões em perdas, o que representa 1,6% do Produto Interno Bruto. Não obstante, esse é um grande problema que afeta Sergipe - possuidor do 4º maior índice de homicídios do Brasil, conforme Anuário Estatístico de Segurança Pública - 2014.

O preocupante é que esses homicídios têm avançado também nas pequenas cidades, onde percebe-se maior ausência do Estado. Para se ter uma noção, em Ribeirópolis, município com cerca de 18 mil habitantes, entre os dias 11 e 13 deste mês, foram registrados três homicídios contra jovens. Um dado assustador para um município pacato até pouco tempo.

A redução das elevadas taxas de homicídios entre jovens é um dos grandes desafios dos gestores de segurança do Brasil. Mas, como combater esse mal? Prendendo mais apenas? Percebe-se que isso não é o suficiente. Segundo dados do IPEA, de 1980 para cá, o índice de encarceramento no País subiu mais de 1000%. Todavia, os índices de criminalidade não reduziram. Então, onde está o erro?

É bem verdade que este é um problema de toda sociedade e não apenas dos gestores públicos. Entretanto, o Poder Executivo é o grande formulador das políticas públicas, quem gere as estruturas e controla os orçamentos públicos. Ele que tem a caneta na mão e, se não houver uma atuação bem sucedida, dificilmente os demais atores terão sucesso.

O ideal também é que o trabalho seja antecedido de diagnóstico, planejamento e constantemente medido e avaliado por pessoas que conheçam a área. Vários estudos são elaborados por pesquisadores, inclusive de Sergipe, e mostram que crimes tem dia, hora, lugar, perfil de vítima, modus operandi, motivação e diversos outros fatores muito bem definidos. Portanto, as informações estão disponíveis, bastando ter competência para utilizá-las e construir um Plano de Segurança Pública contendo ações concretas.

A médio prazo, que essas ações contemplem a mudança nos modelos das corporações policias, a fim de que passem a priorizar o mérito para a ascensão funcional e atuar junto com a sociedade, além da integração das atividades ostensivas, investigativas e de perícia técnica - tornando o trabalho mais célere, eficiente e reduzindo a impunidade.

A curto prazo, deve-se implantar ações de prevenção social localizadas, através de projetos sociais com jovens nas áreas críticas e que contribuem na redução da violência. Em Sergipe, um exemplo que deu certo é o "Projeto Fumaça Zero Drogas Jamais", realizado pela comunidade do Conjunto Santa Tereza, em Aracaju, e que reduziu drasticamente o número de homicídios na localidade em pouco tempo, através do esporte, do lazer, da arte e da participação voluntária da comunidade. Tudo isso integrado com as forças de segurança locais.

Ações como essas certamente contribuem para que não ouçamos mais o choro de mães enterrando seus filhos assassinados. É necessário deixar os discursos de lado e começar a agir - com técnica, sem politicagem, pensando no bem comum e executando ações efetivas.

*Deputado estadual e membro da Comissão Permanente de Segurança Pública da Alese.

 

Georgeo Passos*

Em um País que vive uma escalada da violência, uma triste cena se tornou comum: a de mães que são obrigadas a sepultar seus filhos precocemente, vítimas de assassinatos. Diante dos dados oficiais, verifica-se um aumento significativo nos homicídios que tem como vítimas pessoas na faixa etária entre 15 e 29 anos – principalmente negros, sem escolaridade e de baixa renda.

Além do impacto social, estudos do IPEA demonstram que em 2014 os homicídios nesta faixa etária custaram ao Brasil cerca de R$ 88 bilhões em perdas, o que representa 1,6% do Produto Interno Bruto. Não obstante, esse é um grande problema que afeta Sergipe – possuidor do 4º maior índice de homicídios do Brasil, conforme Anuário Estatístico de Segurança Pública – 2014.

O preocupante é que esses homicídios têm avançado também nas pequenas cidades, onde percebe-se maior ausência do Estado. Para se ter uma noção, em Ribeirópolis, município com cerca de 18 mil habitantes, entre os dias 11 e 13 deste mês, foram registrados três homicídios contra jovens. Um dado assustador para um município pacato até pouco tempo.

A redução das elevadas taxas de homicídios entre jovens é um dos grandes desafios dos gestores de segurança do Brasil. Mas, como combater esse mal? Prendendo mais apenas? Percebe-se que isso não é o suficiente. Segundo dados do IPEA, de 1980 para cá, o índice de encarceramento no País subiu mais de 1000%. Todavia, os índices de criminalidade não reduziram. Então, onde está o erro?

É bem verdade que este é um problema de toda sociedade e não apenas dos gestores públicos. Entretanto, o Poder Executivo é o grande formulador das políticas públicas, quem gere as estruturas e controla os orçamentos públicos. Ele que tem a caneta na mão e, se não houver uma atuação bem sucedida, dificilmente os demais atores terão sucesso.

O ideal também é que o trabalho seja antecedido de diagnóstico, planejamento e constantemente medido e avaliado por pessoas que conheçam a área. Vários estudos são elaborados por pesquisadores, inclusive de Sergipe, e mostram que crimes tem dia, hora, lugar, perfil de vítima, modus operandi, motivação e diversos outros fatores muito bem definidos. Portanto, as informações estão disponíveis, bastando ter competência para utilizá-las e construir um Plano de Segurança Pública contendo ações concretas.

A médio prazo, que essas ações contemplem a mudança nos modelos das corporações policias, a fim de que passem a priorizar o mérito para a ascensão funcional e atuar junto com a sociedade, além da integração das atividades ostensivas, investigativas e de perícia técnica – tornando o trabalho mais célere, eficiente e reduzindo a impunidade.

A curto prazo, deve-se implantar ações de prevenção social localizadas, através de projetos sociais com jovens nas áreas críticas e que contribuem na redução da violência. Em Sergipe, um exemplo que deu certo é o “Projeto Fumaça Zero Drogas Jamais”, realizado pela comunidade do Conjunto Santa Tereza, em Aracaju, e que reduziu drasticamente o número de homicídios na localidade em pouco tempo, através do esporte, do lazer, da arte e da participação voluntária da comunidade. Tudo isso integrado com as forças de segurança locais.

Ações como essas certamente contribuem para que não ouçamos mais o choro de mães enterrando seus filhos assassinados. É necessário deixar os discursos de lado e começar a agir – com técnica, sem politicagem, pensando no bem comum e executando ações efetivas.

*Deputado estadual e membro da Comissão Permanente de Segurança Pública da Alese

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