Insegurança livre e sociedade em prisão voluntária: retrato de Itabaiana (SE)

A violência cresceu com a cidade e o que um dia era peculiar à zona periférica vive lado a lado com a comunidade.
por Redação do Portal Itnet
30/05/2016 08:47h

Por Iane Gois

Itabaiana (SE), conhecida nacionalmente pelo potencial empreendedor do seu povo, vive dias (meses) de insegurança total que só reafirmam o descrédito popular na execução das leis e fazem do homem de bem refém da criminalidade.

Somente neste final de semana a imprensa tomou conhecimento de três casos que revoltaram os munícipes. No sábado (28) menores infratores armados adentraram uma loja que vende celular localizada nas imediações da feira livre, no centro comercial, e fizeram uma verdadeira limpeza nas prateleiras, além do assalto a mais um posto de combustível. O que chama a atenção é a confiança dos suspeitos em agir em meio à multidão, certos da impunidade.

Não bastasse a ousadia do sábado, no domingo a comunidade tomou conhecimento de que no povoado Vermelho, na cidade serrana, os elementos foram roubar e não conseguiram entrar pela porta. Insatisfeitos, os meliantes derrubaram uma parede e conseguiram levar pertences da família.

"Não podemos mais ter nada. Não podemos sair às ruas na certeza de que voltaremos com o celular, por exemplo. A cidade onde à noite as pessoas sentavam em suas calçadas para jogar conversa fora, o que é típico em interior, virou um deserto, e nem mesmo dentro de casa estamos seguros", desabafou a comerciária Laís dos Santos.

Apesar da celeridade da polícia militar tanto na realização do trabalho ostensivo como na identificação e prisão de autores dos crimes, a exemplo dos adolescentes suspeitos do delito no sábado e do veículo utilizado, que horas após foram apreendidos e logo liberados, o índice criminal é preocupante, o descaso das autoridades revoltante, e as leis contraditórias.

Mas como atuar quando os próprios investimentos são limitados? Quando o assunto é combustível, a cota chega a ser insuficiente para a demanda, cartão programa engessa o trabalho do militar, viaturas e motos estão sucateadas, salários parcelados e o risco de morte cada vez maior chacinam a esperança da tropa por dias melhores.

Investigações? A polícia civil não possui contingente suficiente sequer para o cumprimento de entrega de intimações, imagine para fazer valer a missão. Estrutura física enche os olhos da sociedade, mas a realidade atrapalha que comandantes e delegados de polícia saiam de suas cadeiras, e apenas a sociedade sofre as consequências da punição invertida.

Enquanto se faz campanha pelo desarmamento, os criminosos aumentam o seu acervo bélico. A população que trabalha tem seus bens usurpados por aqueles que querem vida fácil. O menor que pode exercer a cidadania na eleição não pode responder criminalmente por delitos cometidos. A Polícia que um dia foi temida, hoje é chacoteada e vítima recorrente dos bandidos. As casas, cheias de grades, alarmes, cercas elétricas, cães de guarda, se tornaram presídios domiciliares voluntários, mas os nossos governantes se mantêm livres, com o direito de ir e vir assegurado por seguranças particulares, mas de olhos fechados para o mesmo direito, cerceado aos cidadãos.

Como jogadores em campo, os políticos fazem da situação a bola que rola no gramado e passam a responsabilidade de um para o outro. Em meio à faltas constantes, sem bandeirinhas, sem árbitro e apenas à espera do fim da partida de quatro anos, no final eles querem a vibração da torcida.

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