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SE: Violência aumentando e policiais permanecem na “geladeira”

Em nota, membros da Comissão dos Aprovados no Concurso da Polícia Civil demonstram insatisfação e tentam sensibilizar Governo.
por Redação do Portal Itnet
19/07/2016 10:55h

Por Iane Gois

Sair às ruas hoje tem sido motivo de pânico para todo e qualquer cidadão, independentemente de profissão, cor, raça, opinião política, sexo e religião. Estudantes não estão seguros na escola, comerciantes são obrigados a abaixar as portas mais cedo, e as grades de proteção nas residências refletem o "auto cárcere privado".

Não obstante à sensação crescente de insegurança, os cortes nos investimentos que poderiam garantir maior trabalho ostensivo, bem como investigativo, pioram consideravelmente, limitando a execução de ações que assegurem a ordem, a moralidade e a segurança física e patrimonial em uma sociedade.

Com cota de combustível sendo redefinida, vencimentos atrasados e parcelados sem previsão de recebimento, diferença salarial exorbitante, infraestrutura precária e efetivo abaixo do necessário, as polícias trabalham acreditando em dias melhores, mas o tempo passa e a defasagem se torna ainda mais visível.

E por falar em efetivo insuficiente, centenas de aprovados no último concurso público da Polícia Civil em Sergipe e devidamente treinados na Academia de Polícia Civil, Acadepol/SE, que aguardaram 15 anos pela concorrência, mesmo aptos a combater o crime, são mantidos na geladeira e obrigados a permanecer de braços cruzados como que vestindo camisas de força.

Em nota à imprensa, membros da Comissão dos Aprovados no Concurso da Polícia Civil demonstraram a inconformidade com a situação e, na tentativa de sensibilizar o Governo do Estado, narraram a luta para alcançar a conquista que parece mais distante hoje do que quando se tornar representante da segurança pública ainda era anseio.

O fato é que enquanto somos vítimas recorrentes da desordem social, agentes públicos se tornam escravos do querer alheio e governantes assistem de camarote, seja de Noronha ou do Caribe, à edificação do muro que distancia mais e mais os que têm dos que precisam.

Leia a nota dos membros da Comissão.

"Após 15 anos sem concurso para Polícia Civil, o Governo do Estado de Sergipe nomeou, em 30 de março deste ano, 100 Agentes e 20 Escrivães de Polícia Judiciária, oriundos do certame aberto em 2014. Os candidatos aprovados passaram por diversas etapas eliminatórias e/ou classificatórias: prova teórica, teste de aptidão física, avaliação psicológica e o curso de formação profissional.

Com um investimento de mais de 1,5 milhão, a Academia de Polícia Civil, Acadepol/SE, formou em dezembro do ano passado 453 jovens, aliás, todos com nível superior. Estes vivenciaram uma rotina diária, durante 3 meses, de instruções teóricas e práticas com um renomado corpo docente.

Há 333 aprovados aguardando a convocação para entrar em exercício e colaborar para reforçar a segurança pública do nosso Estado, a qual convive com o crescimento da criminalidade. É fundamental fazer bom uso de todo o capital investido, dando um retorno imediato à sociedade, que custeia toda a atividade estatal.

O Estado de Sergipe é o 3° colocado no ranking de Homicídios no Brasil, segundo dados do Relatório Atlas da Violência de 2016 - do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA). De acordo com o órgão, houve um aumento de 51,7% desses casos nos últimos 4 anos. Estes dados assustadores precisam ser combatidos com o investimento em recursos humanos na Polícia Civil, órgão que tem a competência constitucional para investigar e indicar autoria dos crimes cometidos, a fim de que se possa desarticular organizações criminosa e esquemas de tráficos de drogas, barrando a continuidade delitiva destes, que hoje são os maiores responsáveis pelo aumento da criminalidade.

Sem um trabalho investigativo eficiente as forças policiais vão continuar fazendo um trabalho apenas paliativo, de contenção sazonal de algumas modalidades de crimes, mas jamais de repressão centrada e contundente aos elementos responsáveis pelo tráfico de armas e drogas, desencadeadores destes maus índices em que estamos colocados.

A sociedade necessita de uma resposta a curto prazo, para combater o crescimento desenfreado da criminalidade, existem 333 aprovados, preparados e treinados, esperando a convocação, o momento é esse! Com segurança não se brinca, não se economiza!".

Membros da Comissão dos Aprovados no Concurso da Polícia Civil

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