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Sem recursos investidos, cobrar segurança chega a ser utopia

Até quando esperar? Seria o mais correto voltar à lei do talião e fazer justiça com as próprias mãos, ou o mais prudente seria aceitar como normal o fato de sair às ruas e com nenhum pertence retornar, ou até não retornar?
por Redação do Portal Itnet
22/07/2016 09:28h

Por Iane Gois

Assassinato de cobrador de ônibus no exercício da função, execução de delegado de polícia, esquartejamento de jovem, latrocínio contra empresário, inúmeras eliminações nos mais diversos municípios sergipanos e o crescimento assombroso da violência talvez não tenham chegado ao conhecimento do governador do Estado, Jackson Barreto (PMDB), que há 15 dias estava no exterior em gozo de férias.

Contudo, assim que retomou o posto, o gestor peemedebista quis ficar a par dos acontecimentos e, em uma reunião na última quinta-feira (21) no Palácio dos Despachos, os secretários que o acompanham relataram o ocorrido na ausência dele.

Certamente a segurança pública, ou melhor, a falta dela, deve ter sido ponto crucial do debate, tanto que as manchetes estampadas nos veículos de comunicação atentam para a exigência do administrador, ainda que reconhecendo as prisões feitas, na tomada de medidas urgentes para redução do impacto da violência.

Mas como minimizar? De quem cobrar? Ainda que com combustível (insuficiente, por sinal, ante a demanda), faltam viaturas, policiais militares estão com salários atrasados, sem hora extra e GRAE, e recebendo os vencimentos parceladamente e sem data específica.

Oficiais que poderiam estar nas ruas são mantidos em desuso, assim como outros, de competência inquestionável, que vão cedo para a reserva. Enquanto a sociedade quer ver os homens de farda nas ruas, praças são enviados para atuar nas Olímpiadas e a menor unidade federativa se torna gigante em termos de criminalidade.

Já os policiais civis, além da também submissão à demora no repasse, sofrem pela falta de estrutura física, administrativa e humana, neste último caso, mesmo havendo mais de 300 aprovados no último concurso, os quais assistem ao crescimento desenfreado da insegurança sem nada poder fazer e, mesmo aptos no combate ao crime, aguardam a boa vontade para convocação.

E há de se ressaltar que em meio a tantas dificuldades operacionais o que se observa é a luta dessas forças na garantia da ordem social, fazendo da crença em Deus e da coragem os últimos recursos restantes na defesa de anônimos.

Então, mais uma vez se questiona: de quem cobrar? Até quando esperar? Seria o mais correto voltar à lei do talião e fazer justiça com as próprias mãos, ou o mais prudente seria aceitar como normal o fato de sair às ruas e com nenhum pertence retornar, ou até não retornar?

Planejamento existe para se evitar que crises tenham maiores proporções, seja na vida pública ou privada. E, ainda que com deficiências, é direito da população a garantia da qualidade de vida através da saúde, educação e segurança pública. Será preciso mudar do Brasil para garantir aos nossos descendentes o que a própria lei torna dever?

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