Cidade

07 de setembro: enterro da ordem e o panelaço militar

O bumbo será substituído pelas panelas e a tradicional marcha cívica dará espaço ao cortejo fúnebre. No fim, a ilusão de que quem acredita sempre alcança.
por Redação do Portal Itnet
06/09/2016 09:53h

Por Iane Gois

As ameaças de punição aos militares que se mostrarem resistentes às determinações do Comando Geral da Polícia Militar em Sergipe parecem ter sido abstraídas e a promessa agora é de que, sem distinção de patentes, oficiais e praças intensifiquem a luta contra os opositores de corporação, que mais parecem inimigos de sangue, defensores do plano de cargo e de carreira, próprios, contudo.

E para reafirmar a postura, a guerra foi declarada já com o luto informal no desfile cívico de 07 de setembro, quando o som do bumbo será confundido com o barulho do panelaço e a tradicional marcha cívica dará espaço a um cortejo fúnebre que segue para o sepultamento da ordem.

Com papéis invertidos, não é a polícia que fará a segurança, mas a sociedade que, de olhos abertos para o descaso dos governantes para com o reinado da insegurança, "marchará" com os militares de folga em demonstração de apoio àqueles que honram a farda e não as têm unicamente como suporte de brevês.

Não haverá aquartelamento. Não será mobilização militar. Será a voz do povo também calada? Por que vetar o direito cidadão, garantido constitucionalmente também a PM's, de manifestar pacificamente contra a violação de direitos básicos? Cadê o regime militar quando a ideologia militarista deve, justamente, sustentar a segurança como mais alta prioridade social? A balança está desregulada.

Sem muitos direitos, calados pelo Sistema e cobertos de obrigações, policiais e bombeiros militares intensificarão a partir desta terça-feira (06) não somente o combate à criminalidade nas ruas, mas, principalmente, a luta conta o dolo pessoal e social enraizando em uma cultura chamada PODER.

E aos que consideram o anseio pela implementação da Promoção por Tempo de Serviço (PTS) na carreira e do Subsídio como interesse mercenário, vamos reavaliar o julgamento, quem sabe até considerar a entrega dos cargos em comissão ou mesmo abrir mão dos salários gordos para enxugar a folha e assim, em atitude não mercenária, contribuir para a minimização da crise que inviabiliza reajuste, obras, serviços de benefício à população, mas que ainda não é impedimento para gasto milionário com agência de viagens.

"Será que a paz morreu, será que a paz tá morta? Será que não ouvimos quando a paz bateu na porta? A paz que não tem vaga na porta da escola. A paz vendendo bala, a paz pedindo esmola. A paz cheirando cola, virando adolescência, atrás de uma pistola virando violência".

E a polícia? Está como o povo, na ilusão de que quem acredita sempre alcança.

*Foi utilizado no texto trecho da música Paz, de Gabriel O Pensador.

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