Saúde Legal

Como a pornografia pode alterar o cérebro: conheça o movimento Reboot

Alterações cerebrais assemelham-se a vícios como o cigarro, álcool e cocaína.
por Jeferson Machado
18/10/2016 11:40h
Atualizado em 18/10/2016 17:39h

A internet banda larga ampliou e facilitou o acesso aos mais variados conteúdos pornográficos. Diante disso, algumas pessoas começaram a relatar em fóruns, comunidades e consultórios que estavam dependentes da pornografia e que talvez algo errado estivesse acontecendo com eles. Talvez fosse influência dos preceitos morais e religiosos, mas a ciência resolveu investigar e provou que há muito além disso.

No site Your Brain on Porn – seu cérebro na pornografia, existe muito conteúdo científico acerca do assunto, inclusive ele recomenda iniciar o estudo pelo vídeo abaixo do cientista Gary Wilson, que fala sobre os efeitos do consumo de pornografia (clique no ícone de legendas para acompanhar o vídeo em português).

 

Segundo o cientista, a pesquisa foi motivada por existirem muitos relatos de PIED (Porn Induced Erectile Disfunction), ou, em português, DIEP: Disfunção Erétil Induzida por Pornografia. Ou seja, é quando o homem se excita e tem ereções normalmente assistindo pornô, porém é incapaz de ter relações com uma pessoa de carne e osso. A pesquisa comparou dois grupos de homens: os que consomem pornografia e os que não consomem, e analisou os cérebros de ambos.

Os resultados preliminares apontaram que aqueles que possuem uma rotina de pornografia, apresentam modificações no cérebro, com rotas que facilitam o acesso fácil e rápido ao prazer.  Ora, sabemos que o cérebro pode sofrer efeitos de neuroplasticidade, onde ele assume modificações que venham a atender àquele comportamento. É como acontece quando se obtém prazer mais fácil em qualquer vício: cigarro, álcool, açúcar, cocaína, etc. O cérebro aprende que aquela determinada substância ou comportamento serve para dar prazer e entende que somente na presença de um desses é que ele terá esse prazer. Isso é o vício ou dependência.

Como identificar se há algum problema?
Nem sempre a pornografia pode estar causando um vício ou dependência. O primeiro sintoma de que algo pode estar errado é a DIEP: Disfunção Erétil Induzida por Pornografia (citada logo acima). Outros como ansiedade para ver o conteúdo sexual, falta de interesse sexual com outras pessoas ou vida afetiva e sexual paralisada ou “mais devagar” também podem ser indicativos de que é preciso rever alguns comportamentos.

E nas mulheres, há algum problema?
Os cientistas relatam haver dificuldade em encontrar um público feminino que atenda aos pré-requisitos da pesquisa. Segundo eles, a maioria do consumo é do público masculino, e a maior parte do conteúdo sexual nas mídias é muito mais direcionado pra eles do que pra elas. Assim, existem alguns relatos em fóruns e comunidades de mulheres afetadas pela pornografia, mas casos muito isolados e ainda sem comprovação científica e número suficiente.

http://www.casulepsicologia.com.br/vicio-em-pornografia-entenda-melhor/
Extraída do Site: http://www.casulepsicologia.com.br/vicio-em-pornografia-entenda-melhor/

 

Movimento Reboot, reprogramando o cérebro.
Se você se identifica ou conhece alguém que possa estar sofrendo de algum tipo de dano causado pelo consumo de pornografia, pode experimentar o movimento Reboot (reinicializar). Aos que estão lendo apenas para curiosidade, vale a pena conhecer o movimento também. O Reboot é basicamente deixar a pornografia de lado por um tempo e ver o que acontece.

Aos que estão chegando até aqui e julgando que não há nada demais no consumo de pornografia, ou que é inútil ou exagero da ciência e não vê a necessidade de deixar de lado, eu faço a seguinte reflexão: se é um estudo tão inútil assim, por que você resiste tanto em deixar a pornografia por um tempo? Experimente também o Reboot e somente depois faça a sua análise.

O movimento Reboot consiste em um período de completa abstinência de pornografia e estímulos sexuais artificiais por um período de 90 dias. De acordo com os estudos, esse é o tempo médio ideal para que o cérebro sofre uma reprogramação. Alguns podem precisar de mais tempo, chegando até a um ano. Outros podem precisar de menos tempo, principalmente os mais velhos.

Após o Reboot, quais os benefícios que posso esperar?
Como o cérebro é uma máquina ainda cheio de mistérios e não foi totalmente mapeado, os cientistas apontaram vários resultados diferentes nos voluntários, e listaram os que mais foram comuns: aumento na energia e disposição, melhor desempenho cerebral nas ideias e memória, elevação da autoestima e maior intensidade no envolvimento sexual com outras pessoas (inclusive ereções mais vigorosas e duradouras).

E agora, devo ou não parar a pornografia?
Enfim, a minha ideia não é apontar aqui dependentes ou criar um preceito moral e proibir a pornografia. Mas, levantar uma abordagem geral sobre o assunto e deixar com que cada um decida o que sente e o que realmente te faz bem e é necessário. Se, por acaso, o movimento Reboot não é suficiente para os que estão em uma fase em que a pornografia compromete bastante a sua vida, o caminho é muito fácil: busque o profissional psicólogo. Com certeza seu problema terá solução. Caso contrário, experimente o Reboot e tire suas próprias conclusões.

Para Saber Mais:
Vício Em Pornografia Como Parar?
Fórum Reboot Brasil
Histórias de Sucesso
O que é vício em pornografia? (Artigo traduzido de Gary Wilson)
A vida sem pornografia (relato no site Papo de Homem)

Jeferson Machado Santos.
CRF-SE: 658.
Farmacêutico pela Universidade Federal de Sergipe - UFS.
Habilitação em Bioquímica Clínica pela Universidade Federal de Sergipe - UFS.
Especialista em Administração de Empresas pela FIJ-RJ.
Especialista em Farmacologia e Interações Medicamentosas pela Uninter-IBPEX.

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