Opinião

SSP-SE contesta, mas os números apontam: SE, o Texas brasileiro

“Desarmadas”, as forças de segurança travaram uma batalha na qual os criminosos têm sido os verdadeiros líderes.
por Iane Gois
28/10/2016 12:03h
Atualizado em 28/10/2016 13:37h

Por Iane Gois

 Na tentativa de minimizar o impacto causado pela divulgação das estatísticas criminais que levaram Sergipe ao podium no quesito violência, dados expostos em amplitude nacional através dos números apresentados no 10º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, a Secretaria de Estado da Segurança Pública de Sergipe (SSP-SE) anuncia prisão de “5.244 pessoas em Aracaju e no interior, número recorde na série histórica dos últimos anos”.

Em nota à imprensa, o órgão oficial do governo responsável pelo compromisso de dirigir os demais para atividades policiais preventivas e de participação comunitária visando a proteção social e a melhoria da qualidade de vida da população, destacou a responsabilidade e empenho no desenvolvimento de ações, alegando, dentre outros pontos, discrepância na metodologia entre os estados, que, segundo o texto, não obedece critérios e protocolos definidos.

Elencando que vítimas de homicídios têm, em sua grande parte, envolvimento no mundo do crime, ainda que tal fato não justifique o caos, mais uma vez a SSP-SE assume a deficiência de policiais e ressalta os típicos problemas que envolvem a legislação, a exemplo da deficiência do sistema prisional e do retorno de acusados ao convívio social ante o cumprimento parcial das penas, mas insiste em maquiar com números subliminares o que a imprensa bate corriqueiramente e a população vive em demasia: a violência exacerbada que já não faz seleção.

Ainda na nota, o apelo ao Ministério da Justiça por ações do Plano Nacional de combate à criminalidade e ao alto índice de homicídios no Brasil chama atenção. Contudo, o que se cobrar quando um montante milionário foi cortado dos investimentos voltados à minimização da insegurança no estado? Por que cobrar quando se tem mão de obra preparada para atuar e ainda assim a omissão prevalece? Planos de ação sendo elaborados, estratégias sendo articuladas, programas, propostas, lamentavelmente o tempo está passando e Sergipe caminha para o envelhecimento populacional em consequência da selvageria contemporânea. Não temos sequer sistema semiaberto.

É preciso dar um basta no que um dia foi sensação e hoje é problema social com ações imediatas. A sociedade não quer números, ela clama por ações. Nas delegacias do interior faltam agentes, escrivães, sendo inviabilizada muitas vezes a simples confecção de boletins de ocorrência. “Desarmadas”, as forças de segurança travaram uma batalha na qual os criminosos têm sido os verdadeiros líderes.

Seguir um plano diretivo funciona quando o controle está nas mãos de quem deveria ter o domínio. No entanto, quando, de dentro dos presídios, os detentos articulam, organizam, e controlam a desordem, sim, vivemos uma guerra.

Otimismo já é ideologia, nos tiraram a liberdade e, na verdade, o pior está por vir. Já ultrapassamos os números de 2015, os quais nos deram o troféu sanguinário. Para 2017? Esperança em Deus, porque de menor estado da federação nos tornamos o Texas brasileiro.

 

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