Cidade

Em protesto, alunos ocupam Murilo Braga e aulas são interrompidas por tempo indeterminado

Previsão é de que até o início de dezembro outras escolas da rede estadual na cidade também tenham as atividades acadêmicas suspensas por conta da "invasão".
por Iane Gois
22/11/2016 10:50h
Atualizado em 22/11/2016 21:08h
Cartazes apontam ocupação na escola (fotos: Alef Andrade)
Cartazes apontam ocupação na escola (fotos: Alef Andrade)

Por Iane Gois

Passados vinte dias da ocupação parcial do prédio da Universidade Federal de Sergipe (UFS), campus de Itabaiana (SE), mais estudantes serranos aderiram ao movimento ‘Fora Temer’ e, contrários à PEC 55, antiga PEC 241, Projeto de Emenda Constitucional do governo Temer que prevê o congelamento dos gastos públicos pelas próximas duas décadas, e à Reforma do Ensino Médio, ocuparam na manhã desta terça-feira (22) o Colégio Estadual Murilo Braga (CEMB).

Com portões trancados e cadeados trocados, os jovens forçaram a suspensão das atividades educacionais e, mesmo conscientes dos prejuízos advindos da interrupção do ano letivo, prometem se manter firmes no protesto até a segunda votação da Proposta no Senado, prevista para acontecer a partir de 15 de dezembro.

De acordo com Ana Laine da Silva, líder do movimento e presidente do Grêmio Estudantil, “a tentativa de calar o estudante não será aceita” e a sociedade será alertada de que não se trata de uma medida que afetará somente a educação.

Ana Laine, líder principal do movimento e presidente do Grêmio Estudantil
Ana Laine, líder principal do movimento e presidente do Grêmio Estudantil

“Já saímos em caminhada pelas ruas da cidade hoje como forma de fortalecer o nosso protesto. Queremos mostrar que essa Proposta terá reflexos na previdência, na saúde pública e que não só nós, estudantes, seremos atingidos”, justificou Laine.

Sobre a Reforma do Ensino Médio, a jovem defende que ante a exigência do conhecimento em todas as disciplinas da grade curricular para prestação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), a medida limita o estudante que, segundo ela, estará dúbio entre as reais necessidades intelectuais e aquelas que serão cobradas.

Mediante a tomada do prédio, o diretor da unidade, professor Paulo César, lamentou o comprometimento direto do ano letivo e a alteração do calendário. “Os alunos estão no exercício legal de uma mobilização, mas é preciso que eles não pensem somente no agora, afinal em um futuro próximo eles e os que estão de fora da ação serão os únicos lesados”, destacou Paulo, lembrando que o ano letivo iniciou com atraso e, mediante essa paralisação, as aulas que estavam previstas para terminar em março precisarão ser estendidas por prazo desconhecido.

“Todo o nosso cronograma foi comprometido. Estávamos com uma programação para a celebração do aniversário da escola e agora já não poderemos mais executar, mas no final os grandes atingidos serão os alunos, porque com a extensão das aulas aqueles que prestaram o Enem, se aprovados e chamados pela Universidade antes do término do período letivo, não poderão se matricular porque não terão cumprido a carga horária necessária à aprovação no ensino médio”, esclareceu o diretor.

Questionada sobre a consciência da perda relatada pelo gestor da unidade de ensino, Laine afirmou estar certa do prejuízo, mas afirmou considerar que “é melhor a espera com a ocupação, a ficar vinte anos sem educação”.

Sem previsão para liberação do espaço, as aulas ficam interrompidas por tempo indeterminado e cerca de 1600 alunos do CEMB permanecerão, ao menos até 15 de dezembro, sem perspectiva de retorno para finalização do ano acadêmico.

Com o engajamento de alunos de outras escolas estaduais da cidade na linha de frente do protesto, é possível que os demais colégios da rede estadual que oferecem ensino médio possam ser ocupados até o início de dezembro, já havendo, inclusive, paralisação no César Leite.

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