Opinião

Sergipe: a luta contra a violência e a marcha dos infames

por Iane Gois
13/12/2016 14:08h
Atualizado em 13/12/2016 14:14h

 Por Iane Gois

 Violência crescendo, fugas em presídios se intensificando, assaltos, furtos e homicídios fazendo cada dia mais vítimas, lamentável realidade vivida no pequeno “Texas brasileiro”, onde a sensação de insegurança cresce em proporção similar às deficiências vividas pelos representantes da segurança pública, as quais, refletidas diretamente na sociedade, fazem da ordem social sonho de outrora.

Encarcerados nas residências, os cidadãos pagam o preço da falta de investimentos, do descaso político para com quem renasce somente de quatro em quatro anos. Nas delegacias o número de presos custodiados supera o próprio efetivo policial que, ao lutar pelos direitos, é taxado de mercenário, e enquanto isso a impunidade reina, o crime se perpetua.

Citam educação, políticas públicas, dentre tantas outras ações que um dia foram implementadas em seu sentido real como artifício de mudança, mas na prática as situações são dicotômicas. De um lado, o interesse próprio sendo maquiado como senso comum. Do outro, o coletivo transformado em irreal. O cidadão é o violão.

Querem nos vendar utilizando as nossas próprias mãos. Tentam nos calar aproveitando das nossas palavras. Arriscam vender uma ilusão de que a obrigação cumprida foi favor prestado, mas talvez esqueçam que somos nós os patrões. Não se nasce vereador, prefeito, deputado, governador, senador ou presidente. Nestes cargos o salário é pago por quem está sendo desrespeitado, por quem está perdendo bens para a bandidagem porque precisa pagar impostos para custear a integridade alheia. A segurança pública em Sergipe está falida!!

Nos Batalhões de Polícia a realidade não muda, as péssimas condições de trabalho se intensificam, e o que se vê são homens vestindo farda, mas que dia após dia têm a verdadeira veste rasgada: a da moral militar.  Com salários atrasados, pagos parceladamente, tendo os direitos usurpados, ainda assim eles se trajam, se arriscam, são cobrados e responsabilizados pelo que não podem pressagiar.

As delegacias? Os números apresentados documentalmente ao Ministério Público mostram que a defasagem entre demanda e realidade é histórica, mas ainda assim o discurso politiqueiro é de que muito se fez e faz, quando na verdade o mínimo do que se deveria executar não é posto em prática.

Para incontáveis bandidos praticando crimes apenas 784 policiais civis atuam no estado, quando na verdade a lei, da década de 90, quando a realidade em termos de criminalidade era consideravelmente inferior, estabelece que o número deveria ser igual a 1500. Em uma subtração rápida percebe-se que o déficit é fato e, portanto, se faz necessário emergencialmente convocar os pouco mais de 270 agentes aprovados no último concurso e devidamente moldados à performance. Mas se é lei, onde estão as autoridades para cobrar a devida aplicação? O que falta?

Faltam prioridades. A onipotência dos senhores do poder precisa derrubada e os problemas tratados com olhos da verdade, sem máscaras. Reforço de homens da Força Nacional provisoriamente não resolverá o problema da criminalidade em Sergipe e também não mostra comprometimento. Ao contrário, reafirma o descrédito para com a prata da casa.

Continuemos a luta, essa ‘marcha dos infames’, quem sabe assim, um dia, a desordem se ordene e não precisemos suplicar por quem não responde, implorar de quem se esconde.

 

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