Internacional

92 pessoas morrem em queda de avião militar na Rússia

Atentado terrorista é descartado e autoridades acreditam que falha humana ou problemas técnicos justifiquem a tragédia.
por Iane Gois
26/12/2016 07:39h
Atualizado em 26/12/2016 07:47h
Equipe de emergência da Rússia transporta restos do avião militar russo que caiu no Mar Negro na noite deste domingo (Foto: reprodução )
Equipe de emergência da Rússia transporta restos do avião militar russo
que caiu no Mar Negro na noite deste domingo (Foto: reprodução )

Um avião militar russo com 92 pessoas a bordo caiu no mar Negro, logo após decolar do balneário de Sochi, no sudoeste da Rússia. O desaparecimento da aeronave e o encontro dos destroços do avião foram confirmados pelo Ministério da Defesa. O órgão informa que não há sobreviventes do desastre aéreo.

Equipes de emergência resgataram corpos e restos do avião; alguns foram encontrados a cerca de 1,5 km da costa. Barcos, helicópteros e drones ajudam nas buscas na região.

Segundo a agência France Presse, o presidente russo Vladimir Putin declarou luto nacional para esta segunda-feira.

A aeronave decolou às 5h20 no horário local, 0h20 no horário de Brasília, com destino à base aérea russa de Khmeimim, na Síria, e sumiu dos radares 20 minutos após a decolagem, ao fazer uma manobra sobre águas russas. O governo russo descarta ação terrorista como a causa do acidente e já investiga o que teria ocasionado a queda da aeronave.

O modelo da aeronave envolvida no acidente é um Tu-154, muito usado no transporte aéreo doméstico na Rússia. Fontes dos serviços de emergência indicaram que o Tu-154 procedia de Moscou e tinha feito escala no aeroporto de Sochi para reabastecer.

"Fragmentos do Tu-154 do Ministério da Defesa russo foram encontrados a 1,5 km da costa do mar Negro a uma profundidade de 50 a 70 metros", informou o Ministério da Defesa, segundo a rede britânica BBC.

A bordo do avião viajavam militares e integrantes do renomado coral e grupo de dança Alexandrov, do Exército russo, que participariam das comemorações de Ano Novo na base aérea síria de Khmeimim, em Latakia, onde a Rússia tem um agrupamento de aviões de guerra. Além dos integrantes do coral também estariam a bordo do voo nove profissionais de imprensa, oito soldados e dois funcionários civis. A BBC informa que Elizaveta Glinka, conhecida como Doutora Liza e diretora-executiva da instituição de caridade Fair Aid, estava no voo.

O presidente sírio, Bashar al-Assad, ofereceu neste domingo suas condolências a seu colega russo, Vladimir Putin. A agência de notícias oficial síria "Sana" informou que Assad enviou uma mensagem a Putin na qual expressou uma "grande tristeza" pelas mortes de "queridos amigos que estavam em caminho à Síria para compartilhar com os sírios sua alegria nas festas (natalinas) e pela vitória na cidade de Aleppo".

O líder destacou, além disso, que "Síria e Rússia são parceiros na luta contra o terrorismo e compartilham alegrias e dores", segundo a agência. Assad também apresentou seu pêsame às famílias e a todo o povo russo.

A Rússia intervém no conflito sírio a favor do governo de Damasco e desde 30 de setembro de 2015 realiza uma campanha de bombardeios no país árabe.

 Investigação

Segundo a CNN, as condições do clima no local no momento do desaparecimento estavam favoráveis. A BBC informou que foram iniciadas investigações para saber se houve violação das normas de segurança do transporte aéreo que pudesse ter provocado a queda.

O presidente do Comitê de Defesa e Segurança do Conselho da Federação, Viktor Ozerov, disse à agência russa Sputnik que a queda da aeronave pode ter ocorrido por um problema técnico ou falha humana. Ozerov não crê na hipótese de ação terrorista.

"Eu descarto completamente a versão do ataque terrorista. É a aeronave do Ministério da Defesa, o espaço aéreo da Federação Russa, não pode haver tal versão", afirmou. "O avião teve que dar uma volta em U após a decolagem sobre o mar, pode ter tomado a direção errada", explicou Ozerov.

O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, disse que o presidente russo, Vladimir Putin, foi informado imediatamente quando a aeronave desapareceu dos radares.

Indenizações às famílias

O Fundo de Seguro Social russo vai pagar indenizações de 1 milhão de rublos (US$ 16,3 mil) às famílias dos mortos no acidente, disse Vsevolod Vukolov, diretor do Serviço Nacional para o Trabalho e o Emprego da Rússia, de acordo com a agência russa Tass.

“As famílias daqueles que estavam em relações de trabalho receberão 1 milhão de rublos do Fundo de Seguro Social”, disse ele. "Pagamentos do seguro aéreo serão cerca de 2 milhões de rublos. Famílias de militares vão receber auxílio do Ministério da Defesa. Tirando essas, famílias das vítimas do acidente vão receber auxílio de regiões e de seguros voluntários, se houver”, acrescentou Vukolov.

Um porta-voz da União Russa de Seguradoras havia dito mais cedo que as famílias de militares iriam receber até 7,8 milhões de rublos (US$ 127,5 mil), e a famílias dos civis, 3 milhões de rublos (US$ 49 mil).

O avião

O avião que caiu foi construído em 1983 e passou por manutenção em 2014, de acordo com o Ministério da Defesa.

O Tu-154 é um avião soviético de três motores projetado no final dos anos 1960. Mais de mil aviões deste modelo foram construídos, e eles foram usados por transportadoras na Rússia e em todo o mundo. Recentemente, companhias aéreas russas substituíram modelos Tu-154 por outros mais modernos, mas o Exército e algumas outras agências do governo russo continuam usando-o.

“É um excelente avião, que provou ser confiável durante décadas de serviço”, disse o piloto veterano Oleg Smirnov em declaração televisionada.

Em abril de 2010 um Tu-154 que transportava o presidente polonês Lech Kaczynski e outras 95 pessoas caiu quando tentava pousar em mau tempo em um aeroporto militar usado esporadicamente em Smolensk, no oeste da Rússia. Todas as pessoas a bordo morreram. A investigação conduzida por especialistas russos e poloneses culparam um erro do piloto em más condições climáticas.

 Do G1, em SP

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