Política

Luciano Bispo acha o valor sugerido para Deso muito baixo

Por Jozailto Lima
por Redação do Portal Itnet
03/03/2017 09:13h

Por Jozailto Lima

Magistrado, senhor da condução de mais 23 outros colegas – ou 21, a depender de como se lê a Casa hoje -, responsável por botar em pauta do projeto de lei que autorize a venda da Deso, o deputado Luciano Bispo, PMDB, presidente do Poder Legislativo de Sergipe, pisa em ovos quando a pauta lhe leva para este tema.

“Pisar em ovos”, no entanto, não é rima para omissão. De cara, ele declara: “O meu voto pessoal hoje seria a favor”. Peemedebista, aliado do governador Jackson Barreto, Luciano Bispo não se sente desconfortável em colocar uma condicionante neste processo, e logo atocha: “Mas preciso ver de perto a questão do quanto vem de valor previsto para a Companhia”, diz.

Luciano Bispo tem um limite para esse “ver de perto”. “Se o valor for R$ 600 milhões, acho que não deve nem botar na pauta para se discutir. Sabe por quê? Porque está barato demais. Em que vamos resolver a questão do Estado com R$ 600 milhões? Pagaríamos um mês da folha dos servidores? Não daria para pagarmos nem meio ano do déficit da nossa Previdência, que este ano passa de R$ 1,2 bilhão. Com esses eventuais R$ 600 milhões, que não sei ao certo se é o valor, se cobre meio ano da Previdência, e pronto”, diz ele.

O deputado Luciano Bispo não é um estatizante juramentado. Ele até admite razoabilidade na discussão da venda da Deso, desde que se tenha uma lógica. Lembrando que o Sindisan já alertou que o valor da Companhia estaria na casa dos R$ 3 bilhões e não dos R$ 600 milhões, Bispo retempera o discurso. “Ah, eu com R$ 3 bilhões faria a privatização. Com este valor, daria para fazer muita coisa. Resolveria muita coisa”, diz.

Luciano Bispo até admite que “a lógica” dos serviços da iniciativa privada poderia colocar um freio maior no uso inadequado da água. “Usamos muito mal a nossa água. Desperdiçamos muito. As pessoas têm muito medo de que o bem água fique na mão de terceiros. Eu penso, hoje, que a gente tem de ter mais cuidado com o tema e com as práticas em torno dele. Às vezes, quando se coloca o assunto dentro de uma eventual especulação empresarial, pode ser até que leve as pessoas a um pouco mais de consciência. E elas comecem a economizar mais a água. Não usá-la tão indevidamente”, diz o deputado.

“Agora, independentemente de se privatizar ou não, é preciso se fazer uma avaliação do papel da Deso. Do uso do seu produto. Veja: hoje está aí a seca assolando. E daí? Na minha avaliação, ela é medianamente bem administrada. Creio que ela precisa de alguns choques de gestão”, diz Luciano Bispo. Ele diz que as perdas de mais de 50% de água são ruins e nada exemplares, mas não exclusivas de Sergipe.

“Veja o caso da China, um país civilizado e altamente preocupado com água: lá eles ainda perdem 22% do líquido tratado. Há uma avaliação no mundo de que o tolerável seria de 20%. Se a nossa Deso atingisse isso, estaria em patamares de países altamente civilizados e preocupados com a água”, diz. Apesar declarar o voto preliminarmente sim à venda, ele não entra na teoria dos votos alheios. “Para mim, é difícil de fazer esta avaliação, porque sou o presidente da Casa. Não posso estar fazendo avaliação de quem vota contra e a favor, que é para amanhã não causar constrangimento”, diz.

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