Opinião

Semana da Mulher: o dilema de viver numa sociedade de assédio

Na Semana da Mulher, a Itnet preparou uma série de reportagem sobre Elas
por Redação do Portal Itnet
06/03/2017 10:02h
Atualizado em 06/03/2017 14:01h

Por Taís Cristina

 Já é 2017, século XXI, mulheres já conquistaram o direito ao voto, o direito ao trabalho; mas, se engana quem acha que é fácil ser mulher numa sociedade como a nossa, onde muitas das vezes, as mulheres são desrespeitadas, assediadas e colocadas como inferior ao homem. Uma pesquisa internacional, realizada no ano de 2016, aponta que 86% das mulheres brasileiras já sofreram algum tipo de assédio em público, seja dentro de ônibus, nas ruas, em festas, seja através de assobios, cantadas desrespeitadoras, olhares maliciosos ou o próprio assédio físico.

“Ele chegou tentando me agarrar, disse que eu tava querendo ele, só porque eu tava bebendo, dançando e tava com uma roupa curta”, é o que relata uma jovem itabaianense de 17 anos, que foi vítima de assédio em uma festa. Ela estava acompanhada de amigas, e todas estavam dançando, quando um rapaz se aproximou dela e tentou beijá-la a força. “Ele confundiu as coisas, não é porque eu tava feliz bebendo e dançando que eu queria beijar ele, ou ficar com um homem. Eu só queria dançar, sozinha”, conta.

Infelizmente, é assim que muitos homens pensam e agem; para muitos, a mulher sempre está provocando, se ela usa roupa curta é porque ela quer que o homem olhe para ela; mas, como todos sabem, nem sempre é assim. A jovem Alice Tavares, de 18 anos, saiu de casa para praticar esporte, e sentiu-se amedrontada com a situação que passou.

“Eu estava indo pra o muaythai, então eu estava com roupa de academia, e parece que homem não pode ver mulher vestida assim né? Quando eu ia atravessar a rua tinha um homem na esquina, daí ele começou a falar umas coisas e quando ele viu que eu ia pro outro lado, ele começou a me seguir, falando um monte de besteira”. Alice ficou assustada, tentou mudar o caminho e só aí o homem parou de seguí-la.

O que chama a atenção em ambos os relatos, é que as duas jovens estavam “na dela”, como se diz, mas os homens se viram no direito de assediá-las, seja de maneira física ou verbal. Uma pesquisa realizada em todo o Brasil pelo Datafolha também em 2016, aponta para dados assustadores: um em cada três homens, acredita que a mulher tem culpa quando é estuprada; 42% deles dizem que mulheres que se dão ao respeito não são estupradas e 30% acha que a mulher que usa roupas provocativas não pode reclamar se for estuprada.

 Nessa pesquisa, mulheres também foram ouvidas, e 32% delas concorda com os homens – que mulher que se dá ao respeito não é estuprada - Mas, o que é se dar ao respeito para a nossa sociedade? É não sair de casa, ou quando sair, usar uma burca, para não mostrar o corpo e não “provocar” os homens? Quem não lembra da mulher que foi estuprada no ano passado, em Aracaju, quando ia ao trabalho? Estamos numa sociedade de distorção de valores, onde esse estereótipo já está “colado” na cabeça das pessoas, que acham que a mulher é sempre a culpada, que a mulher é um convite, ou até mesmo como muitos dizem, “é um pedaço de carne”. É um dilema ser mulher em nossa sociedade.

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