Opinião

Semana da Mulher: a luta contra o câncer feminino em Sergipe

É um verdadeiro dilema o tratamento do câncer no Estado
por Redação do Portal Itnet
07/03/2017 11:52h

Por Taís Cristina

De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca), cerca de 8,2 milhões de pessoas morrem de câncer no mundo a cada ano. Porém, esses dados podem ser diminuídos se a doença for descoberta no seu princípio e também se o paciente tiver um tratamento digno.

Não é o que acontece no Estado de Sergipe. São dois hospitais públicos no estado para dar suporte ao tratamento oncológico, O Hospital de Urgência de Sergipe (HUSE) e o Hospital de Cirurgia; porém o tratamento é péssimo e sempre falta medicamentos e máquinas para realização de exames. É por essa falta de tratamento decente, que em 2014 foi criado em Aracaju, o grupo Mulheres de Peito, que é um grupo formado por pacientes oncológicas, de todo o Estado, para compartilhar o diagnóstico,  angústias, experiências  e lutarem juntas por um tratamento digno em Sergipe.

Foto: Fan page Mulheres de Peito

Inicialmente o grupo era formado por pacientes com câncer de mama, por isso o nome, mas depois ele se expandiu. Aline Souza Ferreira é uma das fundadoras do Grupo, que começou com quatro mulheres, e hoje já são mais de 190 participantes. Por não ter sede fixa, elas se reúnem em suas residências e estão sempre cobrando dos órgãos responsáveis melhorias no tratamento. “É uma situação triste, tem gente na fila de espera por uma cirurgia há mais de 60 dias, e isso não pode acontecer, o câncer não espera”, afirma Aline.

 Outro problema constante é a falta de medicação e a quebra dos aparelhos, principalmente no HUSE, que chega a passar meses com o tratamento de radioterapia interrompido por quebra de equipamentos. Mas e as pacientes, o que acontece com elas? Ficam na espera... Mas como, se o câncer não espera? Morre... Foi o que aconteceu em novembro de 2016, quando a senhora Maria José Barreto Oliveira, faleceu após ter o tratamento contra o câncer no pulmão interrompido, por conta do estado, várias vezes. E se continuar como está, muitas mulheres terão o mesmo fim de Maria, infelizmente...

Muitas vezes quando falta medicamento, as pacientes recorrem à justiça, para que esta tome uma providência, porque como já foi dito, o câncer não espera. “Falta gestão, planejamento, ações de prevenção e combate. Falta cuidado com o dinheiro público”, afirma Aline, que diz que nessa semana, a Semana da Mulher, as Mulheres de Peito não tem muito a comemorar. Mas, como todo brasileiro, ela não desiste. “Nós vamos continuar lutando, não vamos desistir. Vamos continuar em busca de um tratamento digno no nosso estado”, termina.

 Leia também a reportagem de ontem em especial à Semana da Mulher, sobre o assédio sofrido por elas.

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