Opinião

Semana da Mulher: mulheres falam sobre o que é ser mulher em nossa sociedade

Editorial, por Taís Cristina. Em uma semana de homenagens, mulheres querem mais que flores e bombons
por Redação do Portal Itnet
09/03/2017 10:57h
Atualizado em 09/03/2017 14:20h

 Por Taís Cristina

A semana está sendo marcada por homenagens e mais homenagens às mulheres, principalmente no dia de ontem, 08, dia específico destinado às mulheres. Porém, será que é isso que as mulheres querem? Ser exaltadas num dia, ganhar flores e bombons e no outro serem tratadas de maneira inferior aos homens, serem desrespeitadas? Não, mulher quer muito mais que isso, mulher quer mais que flores e bombons, mulher quer respeito, quer dignidade, quer seus direitos assegurados e quer igualdade.

 Mas o que esperar de uma sociedade, onde o próprio presidente, que deve representá-la, fala em discurso em homenagem ao dia Delas, que tem plena convicção do que a mulher faz pela casa? Que equívoco da parte do senhor presidente, não lembra ele da importância feminina para o Brasil. Mulher não nasceu para ser dona de casa, cuidar dos filhos e lavar pratos, como sempre foi ensinado para as meninas na infância. Mulher nasceu para buscar seus objetivos, estudar, trabalhar, e ser mãe e dona de casa também, mas não só para isso, lembrem disso sempre.

 E foi isso que o Papa Francisco falou em um discurso nesta semana. “Mulher não existe para lavar louça”, disse o Papa, exatamente com estas palavras. Realmente, não é dessa maneira que a mulher quer ser vista na sociedade, não é isso que a mulher brasileira quer. O que é que ela quer então? Ela quer respeito, quer andar na rua sem medo de ser estuprada, quer usar uma saia, um short, e não ser julgada de maneira imprópria por conta disso. É isso que as mulheres querem.

 Não dá para negar que as mulheres já romperam muitas barreiras e tiveram vários direitos conquistados. Ainda bem! Mas, o que é ser mulher em nossa sociedade? Confira o que mulheres jovens, que tem um futuro pela frente, e muitos desafios também, dizem sobre isso:

“Ser mulher na sociedade é desempenhar um papel único, que não pode ser desempenhado pelos homens: gerar vida. Além disso, fazer tudo o que os homens fazem, pois além de cuidar dos filhos e da casa, saímos para trabalhar, vivemos duplas, até mesmo triplas jornadas. E mesmo depois de tudo isso, ainda não estamos em pé de igualdade. Felizmente, a mulher tem a cada dia mostrado seu valor e lutado por uma sociedade mais justa. Ocupamos altas posições, fazemos trabalhos pesados, que até hoje são considerados masculinos e provamos que é possível sermos forte sem perdermos a delicadeza. Quem disse que mulher é sexo frágil provavelmente nunca conheceu uma mãe solteira que cria dois ou três filhos com louvor e ainda sustenta a casa sozinha”, Nathália, 21 anos, Nossa Senhora do Socorro.

 “Apesar de estarmos no século XXI, ainda é perceptível a falta de equidade e de respeito perante a mulher. Atualmente ainda é difícil, mas pelo menos há um certo alívio de olhar para o passado e ver que avançamos e lutamos bastante. Portanto, ser mulher é saber que a luta ainda não terminou, mas também é saber que não estou lutando sozinha”, Lania, 17 anos, Itabaiana.

“Ser mulher hoje é a gente continuar cada vez mais lutando, é enfrentar preconceitos e provocações, dentro e fora de casa. É ser uma super-heroina, pelas várias funções que desempenha. Ser mulher nos dias de hoje é um desafio”, Yasmin, 21 anos, Aracaju.

 “Ser mulher na nossa sociedade é resistir, sabe? É resistir aos baixos salários, a comentários negativos quanto a algumas áreas de atuação como mecânica, civil... a culpa que nos dão por apanhar, por ser assediada, a julgamentos estéticos e baixa autoestima SEMPRE pelos mesmos motivos, resistir a competição que a sociedade coloca uma mulher sempre contra a outra, resistir às limitações de atividades já que "nem toda atividade é pra mulher". É tentar acima de tudo isso encontrar um rumo, ser feliz, ter uma carreira profissional e se manter viva, já que o Brasil é um país que mata cerca de 15 mulheres por dia”, Camila, 20 anos, Itabaiana.

“Ser mulher é difícil numa sociedade que tem salários desiguais.  É difícil ser mulher quando vemos sempre no noticiário mulheres que foram assassinadas por companheiros que não sabem o que é um não, mulheres estrupadas, (e às vezes nem mulheres, crianças ainda, meninas de 12, 13 anos). É tanta violência, preconceito, e sim ainda algumas desigualdades em coisas tão ridículas que eu fico pensando, caramba não acredito que conseguimos tanto, avançamos tanto e o básico que o respeito, bom senso, não conseguimos ainda”, Aucicláudia, 21 anos, Campo do Brito.

 “Na nossa sociedade, mulher ainda é vista apenas como dona de casa. Não pode estar no mercado de trabalho e quando resolve lutar por seu espaço nele, recebe salário inferior ao dos homens mesmo que trabalhe no mesmo setor. Ela é apenas bela, recatada e do lar, para a sociedade” , Maísa, 19 anos, Itabaiana.

 “É ter que enfrentar desafios, ter que ser forte e lutar pelos nossos direitos. A sociedade discrimina, diminui e vitimiza a mulher”, Francielle, 21 anos, Nossa Senhora do Socorro.

“Ser mulher em uma sociedade extremamente paternalista/machista é ter em mente que haverá uma constante luta por direitos. Uma luta na instância profissional, na qual ainda somos tratadas desigualmente. Uma luta familiar, pela independência e libertação de preconceitos tradicionalmente arraigados no seio familiar”, Elaine, 21 anos, Itabaiana.

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