Saúde Legal

Por quantos dias é normal ficar sem ir ao banheiro? Saiba como resolver a prisão de ventre

90% dos casos podem ser resolvidos com simples hábitos listados abaixo.
por Jeferson Machado
25/03/2017 16:17h
Atualizado em 25/03/2017 16:19h

Você provavelmente já deve ter ouvido falar na palavra “enfezado”, geralmente atribuída a alguém que está irritado ou de mau humor. A palavra “enfezado” significa também “cheio de fezes”. Ou seja, podemos concluir que há uma correlação direta entre o humor e o intestino preso. Pessoas que retém mais fezes, e se referem não conseguir evacuar de maneira satisfatória, costumam ter o seu humor alterado, com maior irritabilidade, mau humor, inquietudes e alterações do apetite.

A prisão de ventre, conhecida também por constipação intestinal, intestino preso, intestino preguiçoso ou gases presos é a dificuldade de eliminar as fezes. Quando o conteúdo líquido das fezes é menor de 70% do seu peso total, há uma dificuldade maior em seu trânsito intestinal para eliminação. Não se desespere acreditando no mito de que se deve evacuar todos os dias. Considera-se normal evacuações a cada 3 dias, assim como o contrário também deve ter limite, onde o normal é evacuar no máximo 3 vezes por dia.

Pouco volume, muito esforço e fezes de calibre fino e endurecidas, também são algumas das características da prisão de ventre, que atinge cerca de 15% da população brasileira, principalmente as mulheres, por conta das suas alterações hormonais (ciclo menstrual, gestação, idade). Idosos também sofrem bastante, por conta da redução no tônus muscular e contração do intestino grosso.

Quase 90% dos casos podem ser resolvidos com uma alimentação mais adequada, bebendo bastante água e praticando alguns hábitos que influenciam no problema.  Confira abaixo.

Comer fibras
As fibras ajudam na composição do bolo fecal, tornando-as mais líquidas devido à maior retenção de água. Uma ingestão pobre em fibras tende a deixar as fezes mais duras e secas, o popular “intestino ressecado”. Você encontra fibras facilmente em verduras, frutas, linhaça, aveia, chia e castanhas. Sobre as frutas, cuidado apenas com a maçã e goiaba, que costumam prender o intestino. Já o mamão e a ameixa são ótimos aliados no combate ao problema.

Beba bastante água
As fezes ideais para evacuação devem ter em média 70% do peso de seu volume composto por líquidos. Assim, deve seguir-se a recomendação de ingestão diária de água e manter-se hidratado.

Café, álcool e chás diuréticos
Quanto maior a ingestão de álcool, café ou chás diuréticos, como o chá verde, maior a perda de água. E, conforme já sabemos, a desidratação é uma das causas da constipação.

Pratique atividades físicas
A prática de exercícios físicos influencia no trânsito intestinal. Outro ponto que também influencia é ficar muito tempo sentado. Procure se movimentar a cada 1 hora sentado para que o intestino volte a se movimentar. E, pratique alguma atividade física compatível e recomendada para o seu organismo.

Ansiedade e depressão
Problemas emocionais também influenciam no trânsito intestinal. Porém, com os cuidados acima como, alimentação, água e atividades físicas, não só o intestino funcionará melhor, como também eles ajudam no combate da ansiedade, depressão e outros transtornos emocionais.

Segurar a vontade de ir a banheiro
Adiar ou segurar a ida ao banheiro prejudica bastante o funcionamento normal do intestino. Com a correria cotidiana, algumas pessoas até esquecem de ir ao banheiro, hábito que pode deixar o intestino mais lento.

Medicamentos
Alguns medicamentos, principalmente os suplementos vitamínicos à base de ferro, costumam piorar o funcionamento do intestino. Consulte a bula ou converse com o farmacêutico para saber se o seu medicamento pode causar este efeito.

Uso frequente de laxante
O uso com frequência de laxantes faz com que o intestino grosso fique dependentes deles para se movimentar. Com o tempo, fica muito difícil conseguir evacuar sem o uso do medicamento por conta dessa dependência.

Importante!
Quando não tratada adequadamente, a prisão de ventre pode evoluir para hemorroidas, fissuras, divertículos e inclusive para fecalomas (fezes empedradas no canal anal e reto e que podem necessitar de esvaziamento em um hospital). As dicas acima podem ajudar, porém se mesmo com esses cuidados o problema persistir, é necessária a intervenção de um profissional especializado.

Jeferson Machado Santos.
CRF-SE: 658.

Farmacêutico pela Universidade Federal de Sergipe - UFS.
Habilitação em Bioquímica Clínica pela Universidade Federal de Sergipe - UFS.
Especialista em Administração de Empresas pela FIJ-RJ.
Especialista em Farmacologia e Interações Medicamentosas pela Uninter-IBPEX.

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