Saúde Legal

Pílula do dia seguinte: 10 perguntas e respostas

Como ter certeza se a pílula funcionou ou não? Confira esta e outras dúvidas.
por Jeferson Machado
24/04/2017 20:08h

O contraceptivo de emergência, conhecido popularmente por pílula do dia seguinte, é um medicamento indicado para casos onde acontece acidentalmente o contato do sêmen com a vagina, como nos casos em que a camisinha estoura. É recomendada apenas em casos emergenciais, e não como um anticoncepcional convencional de uso diário ou semanal. 

Devido ao fácil acesso, já que não necessita de receita médica, alguns consumidores se recusam, ignoram ou ficam constrangidos em receber as orientações farmacêuticas, e apenas compram e consomem a pílula, não importando se está fazendo da forma correta ou não. Em alguns casos, o efeito esperado pode ser até prejudicado pela falta de conhecimento do uso racional do método contraceptivo, e a pílula não ter efeito algum. Assim, elaborei as principais dúvidas acerca do assunto que talvez possam ajudar, confira abaixo.

1 – A pílula do dia seguinte tem mais efeitos colaterais do que a pílula comum?
Sim, não é à toa que alguns a apelidam de “bomba de hormônios”. Para se ter ideia, uma pílula do dia seguinte pode conter até metade da quantidade de hormônios de uma cartela de pílula anticoncepcional tradicional. Matematicamente falando, a pílula convencional possui 0,1 mg contra 1,5 mg da pílula do dia seguinte, ou seja, 15 vezes a mais e de uma vez só. Assim, não resta dúvidas que essa “bomba de hormônios“ trazem potenciais efeitos colaterais, como desregular o ciclo menstrual, seja atrasando ou adiantado a menstruação; vômitos, enjoos, vertigem, cefaleia e dor e sensibilidade nas mamas. Alguns desses sintomas chegam até a confundir a cabeça das mulheres por se assemelharem a sintomas de gravidez.

2 – Álcool e cigarro atrapalham o seu efeito?
Quando se consome álcool ou cigarro juntamente com a pílula do dia seguinte pode ocorrer um aumento na concentração dos hormônios no sangue. Assim, não há um corte ou diminuição do seu efeito esperado e o impedimento de gravidez ocorrerá conforme esperado. Porém, pode ocorrer um aumento nos sintomas indesejados, como os citados na pergunta anterior. Deve-se ficar atenta aos vômitos, algo comum em excesso de ingestão bebidas alcoólicas. Nesse caso, é recomendado seguir as orientações da bula para que não haja uma perda do efeito da mesma.

3 – O método é 100% seguro?
Ao tomar nas primeiras 24 horas após a relação sexual desprotegida, a pílula do dia seguinte apresenta uma efetividade de 95%. Claro que esse efeito vai caindo ao longo do tempo, podendo ser tomada em até no máximo 72 horas após a relação. Nesse caso, a sua efetividade cai para 85%. Vale lembrar que ela não protege contra as doenças sexualmente transmissíveis (DST), e para tal existem outros métodos como a camisinha masculina ou feminina.

4 – Pode ser tomada de quanto em quanto tempo?
Apesar de ser conhecida como pílula do dia seguinte, o método é denominado e conhecido pelos especialistas como pílula de emergência ou contraceptivo de emergência. E, por emergência, entendemos que somente em casos de extrema necessidade. Os níveis seguros e recomendados é que se consuma no máximo duas a três vezes por ano. Assim como qualquer outro medicamento, o seu uso contínuo não só traz riscos indesejados ao organismo, como também pode passar a não exercer o efeito esperado após algum tempo de uso. Assim, se o seu caso é o uso rotineiro da pílula, experimente utilizar outros métodos mais seguros e menos danosos, como a pílula convencional.

5 – Esqueceu de tomar a pílula convencional e quer compensar com a do dia seguinte, pode?
Poder até pode, mas nem sempre é recomendado. Quando se esquece uma pílula anticoncepcional tradicional, existe uma série de recomendações em sua própria bula que prezam pela segurança do seu efeito. Esse é o caminho mais seguro e recomendado. Lembrando que uma pílula do dia seguinte pode conter metade de hormônios de uma cartela, é como se a mulher estivesse compensando uma única pílula, com metade de uma cartela e de uma vez só. Nesses casos, há uma enorme alteração no ciclo menstrual, acompanhada de uma série de efeitos indesejados. Entretanto, se não tem jeito, mesmo com as medidas e recomendações da bula acerca do esquecimento da pílula tradicional, aí já é considerada uma emergência, e somente a pílula de emergência (dia seguinte) para resolver.

6 – Qual a relação entre pílula do dia seguinte e gravidez ectópica (fora do útero)?
Um dos efeitos da pílula de emergência é diminuir o movimento natural das trompas. Vamos supor que a pílula tenha falhado e o óvulo foi fecundado. Mesmo que a pílula tenha falhado, ela continuou fazendo efeito nas trompas, que terão o seu movimento diminuído, e o óvulo não vai conseguir chegar até o útero, podendo ficar parado nas trompas. Esse tipo de gravidez é de risco, pois o feto se desenvolve no lugar errado, rompendo as trompas e causando hemorragia.

7 – Caso falhe, o feto se desenvolverá normalmente ou há risco de malformação ou aborto?
Não há risco algum, desde que o feto consiga se deslocar até o útero (vide resposta anterior).

8 – Qual a mais confiável a de um ou dois comprimidos?
Tanto faz. Ambas apresentam os mesmos níveis de segurança e efetividade. Uma é dosagem única e apresenta 1,5 mg de concentração em sua formulação. A outra são duas doses de 0,75 mg tomadas em um intervalo de 12 horas entre elas. Ou seja, como 2 x 0,75 = 1,5, acaba dando no mesmo.

9 – A pílula do dia seguinte pode causar infertilidade?
Ainda não há comprovação científica ou relatos de casos de infertilidade por seu uso.

10 – Como saber se a pílula fez efeito?
Conforme citado anteriormente, na maioria dos casos pode ocorrer alterações no ciclo menstrual, como o atraso. Além disso, outros efeitos colaterais podem indicar a sensação de gravidez. Nesse caso, só há um jeito de descobrir se a pílula fez ou não efeito: teste de gravidez. Com uma semana de atraso na menstruação é possível confirmar se há ou não gravidez com um simples teste de farmácia.

Jeferson Machado Santos.
CRF-SE: 658. 

Farmacêutico pela Universidade Federal de Sergipe - UFS.
Habilitação em Bioquímica Clínica pela Universidade Federal de Sergipe - UFS.
Especialista em Administração de Empresas pela FIJ-RJ.
Especialista em Farmacologia e Interações Medicamentosas pela Uninter-IBPEX.

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