Saúde Legal

Sushi pode causar infecções parasitárias e preocupa especialistas

Alguns parasitas podem se alojar no organismo humano durante anos e sem serem detectados.
por Jeferson Machado
13/05/2017 08:49h

Aos amantes de sushi e, por sinal, inclusive eu, um alerta de médicos portugueses publicado em uma revista internacional chamou a atenção no mundo inteiro no tocante à culinária japonesa. Não é de hoje que sabemos que alimentos crus oferecem grande risco de contaminação de parasitas. E o sushi foi o alvo de um artigo publicado recentemente no British Medical Journal Case Reports. 

Nesse artigo, quatro médicos portugueses relataram terem atendido a um paciente, em Lisboa, que deu entrada no hospital com fortes dores na barriga, vômito e febre. Após os exames, os médicos encontraram um parasita nematódeo na parede do estômago do paciente chamado de Anisakis, causador da anisaquiose humana. A doença se inicia com reações alérgicas como coceira e urticária e pode evoluir para consequências mais graves, como sangramento abdominal e perfuração do intestino.

Os médicos chegaram à conclusão de que o parasita foi proveniente do consumo sushi, já que o Anisakis normalmente é encontrado em peixes e frutos do mar, e o parasita foi removido cirurgicamente do paciente. Até então, a cirurgia é o único método de remoção do Anisakis.

Parasita no sushi não é novidade
Não é a primeira vez que a comida japonesa é relacionada a infecções parasitárias. Em 1988, um artigo norte americano registrou casos de doenças relacionadas ao consumo de sushi em São Francisco (EUA). O órgão de saúde americano CDC também afirma haver muitos relatos de anisaquiose humana em outros lugares do mundo e relacionados ao consumo do alimento. No Japão há inúmeros relatos e artigos também referentes ao tema.

E agora, o que fazer?
Os especialistas e órgãos sanitários são radicais. Segundo os mesmos não há saída e o único jeito é evitar comer peixe e lula crus, que devem ser cozidos à temperatura mínima de 60°C. No Brasil, as grávidas são orientadas no seu pré-natal a evitarem o consumo de sushi, pelos riscos de contaminação parasitária. Alguns médicos também se posicionam contra o consumo do alimento cru, na população em geral.

Existem recomendações em congelar o peixe a -20°C durante pelo menos três dias, para eliminar os parasitas do peixe. Porém, nada cientificamente 100% comprovado. Outra medida que pode auxiliar na prevenção é o cuidado do sushiman em remover o parasita na hora do preparo, que em alguns casos são facilmente visíveis na carne do peixe.

E você, amante do sushi, assim como eu, como será a partir de agora? Vale a pena arriscar? Existirá alguma medida efetiva que evite tais contaminações e nos permita consumir o alimento com segurança? Aguardemos cenas dos próximos capítulos.

Acesse o artigo publicado na revista BMJ.

Jeferson Machado Santos.
CRF-SE: 658. 
Farmacêutico pela Universidade Federal de Sergipe - UFS.
Habilitação em Bioquímica Clínica pela Universidade Federal de Sergipe - UFS.
Especialista em Administração de Empresas pela FIJ-RJ.
Especialista em Farmacologia e Interações Medicamentosas pela Uninter-IBPEX.

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