Esporte

Tricolor da Serra: Um amor que move os torcedores

Por Taís Cristina
por Redação do Portal Itnet
20/05/2017 07:52h
Atualizado em 20/05/2017 16:05h

Se você já foi a um jogo da Associação Olímpica de Itabaiana (AOI), ou melhor, do Tricolor da Serra, já ouviu torcedor cantar o hino alto, chamar o juiz de “fí do canso”, balançar a bandeira na hora que o jogador tricolor marca um gol, cantar e dançar junto ao ritmo dos tambores que sempre estão presentes nos jogos do time serrano. Não, o Tricolor da Serra não tem o melhor jogador do mundo, não tem a maior torcida do país, não treina em estádios de primeira classe; mas tem uma torcida apaixonada, que veste com gosto o azul, vermelho e branco e acompanha o time “na vitória ou derrota” – como diz a letra do hino itabaianense. Torcedor do Itabaiana não hesita em cantar alto e com emoção: “somos Itabaiana, cidade celeiro, que vibra no esporte com o seu Tremendão”.

Foto: Wendell Rezende/AOItabaiana

O Itabaiana foi fundado no dia 10 de julho de 1938, e inicialmente era chamado de Botafogo Sport Club; mas esse nome durou apenas três meses, por insatisfação dos populares, então depois o time foi intitulado de Itabaiana Sport Club, passando mais tarde para Associação Olímpica de Itabaiana, o qual permanece até os dias de hoje. O primeiro título veio no ano de 1959, no Campeonato Sergipano, no qual o Tricolor possui até o momento cinco títulos seguidos, sendo pentacampeão. O time também ganhou o título de campeão da Copa do Nordeste em 1971, sendo o único time sergipano a possuí-lo, e isso orgulha muito os torcedores.

A Associação Olímpica de Itabaiana passou muito tempo “apagada”, mas no ano de 2015, o time começou a “acender “novamente, e em 2016 chegou longe em competições importantes. Foi vice-campeão sergipano, e chegou até as quartas de final do Campeonato Brasileiro Série D. E em 2017, o Tricolor – apelido atribuído ao time por ser composto por três cores, azul, vermelho e branco – segue “forte e fixe” como nunca esteve, em busca de mais e mais títulos para a cidade. É a dedicação e o comprometimento do time que fazem os torcedores lotarem os estádios, seja o Etelvino Mendonça, na casa do Itabaiana, ou outros estádios, e gritarem em voz alta que ama o Tricolor, que ama o time da terra de um povo que é “fí do canso”.

Guido de Jesus Andrade, 62 anos, é um torcedor apaixonado pelo Itabaiana desde os 14 anos de idade. Ele viu o time ser campeão estadual cinco vezes e também vencer a Copa do Nordeste, título único até o momento, no ano de 1971, como já citado acima. Ele torce pelo Tremendão (como também é chamado), pois entende que o time representa muito bem a cidade e acha importante valorizar o futebol local. “Eu sou Tricolor da Serra, sou itabaianense apaixonado e acompanho meu time de coração sempre que posso, vou pra 90% dos jogos. Eu já fui ver o Itabaiana jogar em Belém (PA), no Macaranã, em vários estádios por aí”, conta ele, que ressalta a importância do time ser mais valorizado no estado pelo grande número de torcedores apaixonados.

Ele conta que já desmaiou de emoção, no momento considerado por ele como o mais importante na sua história como torcedor. “Em 1997 o Itabaiana jogava contra o Confiança, seu maior rival, que estava com oito pontos de vantagem, mas o nosso Tricolor fez bonito e foi campeão. Foi lindo, foi emocionante”, diz ele.

Outro apaixonado pelo Tricolor é o jovem Edinaldo Santos Lima, de 21 anos. Ele começou a torcer pelo Itabaiana quando tinha cinco anos de idade, por influência que nem ele mesmo sabe de onde veio, mas sabe que é muito amor que sente pelo time; e muito orgulho também. “Apesar do Itabaiana ser um time pequeno, ele orgulha muito a torcida, que é fiel e apaixonada”, fala Edinaldo, que acompanha os jogos do Tricolor com frequência. Ele não sabe qual foi o jogo mais emocionante que assistiu, pois para ele, cada jogo do Itabaiana é uma surpresa e o time sempre faz bonito, nunca decepciona a torcida. Pois é, torcedor apaixonado é como mãe, sempre se enche de orgulho.

Se engana quem acha que futebol é coisa para homem, pois tem mulher apaixonada pelo Itabaiana, “sim sinhô”. Lorena Garcia Moreno é uma das torcedoras femininas mais conhecidas em Itabaiana pelo amor devotado ao time. “Minha paixão surgiu quando eu era pequena e me levavam ao estádio para ver os jogos. Mesmo sem entender muito de futebol, fiquei encantada pela vibração da torcida e me apaixonei pelo time”, conta ela, torcedora e defensora do seu time do coração com “unhas e dentes”. Ela não vê motivos para torcer para outro time, pois é importante para ela valorizar o que tem em sua terra.

Lorena conta que o momento de maior emoção e felicidade foi quando viu o Itabaiana vencer o Campeonato Sergipano contra o Confiança, em 2012. “Quando o jogo acabou eu derrubei o celular de tanto que pulei e vibrei, depois saí como uma doida procurando”, diz ela, que conclui: “Ser campeão é maravilhoso, mas ser campeão em cima dos times da capital, isso não tem preço”.

Mas Lorena, por que vale a pena torcer pelo Itabaiana?

- Porque ele é único! Já trabalhei com o time, sei as dificuldades que enfrenta. Isso estimula e mantém acesa a chama da paixão que tenho pelo time – enfatiza ela.

Pois é, torcedor Tremendão canta, grita, torce, se apaixona. Como o próprio hino do Clube diz: “em casa ou distante, o amor é o mesmo”. Itabaianense de verdade ama, defende, e está com o Itabaiana onde for, seja na vitória ou na derrota.

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