Cidade

Dona Lenalda: o talento e a história por trás dos vestidos de quadrilha

Em homenagem ao São João, a história de dona Lenalda, a pioneira dos vestidos de quadrilha em Itabaiana. Por Taís Cristina.
por Taís Cristina Rosa Santos
24/06/2017 11:52h
Atualizado em 24/06/2017 12:00h

Em uma casa grande, um corredor cheio de varais com vestidos de quadrilha anuncia que ali reside alguém que muito sabe sobre esse traje, o mais usado em tempo junino, e também nos faz sentir que estamos num arraiá, e finalmente é um chamado: “Pessoá? Oi! Viva São João? Viva!” Ela é Maria Lenalda Santos Silva, ou melhor, dona Lenalda, como todos a conhecem. Ela tem 78 anos de idade e há mais de 40 anos trabalha costurando vestidos de quadrilha.

“Eu fui a primeira costureira a fazer vestidos de quadrilha para alugar”, conta dona Lenalda, muito orgulhosa da profissão e do dom que recebeu de Deus. Ela tem três filhos, e diz que começou costurando vestidos simples de xadrez; “o pessoal vinha aqui em casa, trazia o pano e eu fazia, mas depois tomei gosto pela coisa e comecei a fazer para alugar”.

Por várias partes da casa dela, vários vestidos, de diferentes tamanhos, cores, modelos, desde os mais simples até os mais arrumados, de todos os preços também. Tem vestido que leva até dois dias para ficar pronto. Este ano, por conta de um problema de saúde, Lenalda não pôde fazer nenhum modelo novo. Os vestidos alugados pelas pessoas – que ela perdeu as contas e nem lembra mais quantos são – são do ano passado.

“Com fé em Deus ano que vem eu vou estar boa, pra poder costurar mais”. Dona Lenalda gosta do que faz, e diz que o trabalho é para ela uma diversão. “As vezes eu tou com alguma preocupação, mas aí começo a costurar e pronto, passa”.

Dona Lenalda, a senhora gosta da sua profissão?

-Minha filha, eu amo o que eu faço. É bom demais ver as meninas vestidas com o que eu faço.

Ela já foi responsável por muitos “anarriês”, em 40 anos, porque a gente sabe, do mesmo jeito que não pode faltar forró e fogueira, também não pode faltar vestido de quadrilha no São João. “Se Deus me ajudar e me der saúde eu vou fazer muitos vestidos ainda”, disse Maria Lenalda, que terminou me dando um abraço bem apertado, daqueles que a gente só ganha no São João. Anarriê!!

Gostou? Compartilhe:

Comente Abaixo