Saúde Legal

Hand spinner, a novidade que promete combater estresse e ansiedade e melhorar o foco

O brinquedo, utilizado até por adultos, teria realmente efeitos terapêuticos?
por Jeferson Machado
14/07/2017 20:19h

Após a febre dos ioiôs da Coca-cola, tazos, geloucos e beyblade, a nova onda dessa geração são os hand spinners ou fidget spinner. O brinquedo, em formato de hélice, surgiu nos EUA na década de 90, porém só obteve o sucesso absoluto em 2017, alguns anos após ter a sua patente expirada.

Desde o início, quando fora projetado, sua proposta era a de combater a ansiedade, estresse e auxiliar crianças com transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) ou autismo. O fato de ter um funcionamento simples, preço bastante reduzido e bastante relatos de efeito terapêuticos na internet, tem atraído a atenção de todas as idades para essa espécie de peão moderno. Afinal, é muito fácil encontrar hoje em dia alguém com algum nível de tensão e que deseja uma solução milagrosa e acessível.

Os efeitos terapêuticos, funcionam mesmo?
Essa questão exige uma análise bastante profunda a respeito. Tomando como ponto de vista o modelo científico tradicional, que exige pesquisas renomadas, com estudos de numerosas pessoas e profissionais capacitados para tal e publicações em revistas de alto impacto, ainda não é possível provar esses efeitos terapêuticos relatados.

Mas, existem muitos especialistas e profissionais de saúde, principalmente psicólogos, apoiando o uso do brinquedo. Segundo eles, qualquer ação que te tire de algo que esteja te levando a sintomas como ansiedade e estresse, serviria como ponto de fuga desse gatilho que lhe causa essas sensações. Principalmente quando essa sua nova ação te traz satisfação, algo que o hand spinner tem proporcionado a algumas pessoas, segundo os seus próprios relatos.

Essa satisfação, pode estar relacionada ao aumento de dopamina, neurotransmissor responsável pelo prazer e bem-estar. Isso poderia explicar um pouco dos efeitos relaxantes registrados por essas pessoas. Outra teoria sugere que o movimento repetitivo do brinquedo pode levar o cérebro a se “desligar” do mundo ao redor.

Para compreendermos melhor, vamos a alguns exemplos com nomes fictícios. Paulo não larga o smartphone. Isso o deixa acelerado o tempo todo e não consegue parar a mente um segundo sequer. Paulo utiliza o hand spinner como forma de se afastar por um tempo do celular.

Outro exemplo. Pedrinho é inquieto e desatento. Não consegue realizar uma tarefa que não tem interesse se ele não fizer outra em paralelo. É aí onde ele utiliza o hand spinner. Pedrinho consegue se concentrar na sua tarefa, porque ele está utilizando o brinquedo de forma paralela, ajudando-o a se concentrar e manter o foco.

Mais um, o último. Mariana não para de chupar o dedo, roer unha, fica apertando o bico da caneta, balançando as pernas ou batendo os dedos na mesa. Os especialistas sugerem que o hand spinner deixaria Mariana mais “ocupada”, auxiliando em sua concentração e diminuindo a tensão.

Um alerta para os pais
Apesar do embate entre os especialistas em concordar ou não acerca dos efeitos terapêuticos dos hand spinners, algo eu mesmo posso afirmar com muita certeza: o brinquedo pode servir como alerta para os pais.

Crianças e adolescentes que compram o brinquedo para aliviar o seu estresse e sua ansiedade acabam emitindo um grande sinal de atenção. Às vezes ela não sabe te dizer que está com algum problema, até mesmo nem sabe que tem um problema. Às vezes ela nem tem problema mesmo. Mas, ao comprar um brinquedo que venha resolver o seu estresse, sua ansiedade ou sua tensão, ela está sinalizando que tem algo errado acontecendo com ela.

Assim, fica meu conselho. Se o teu filho ou alguém próximo alega ter comprado o brinquedo para aliviar o estresse ou ansiedade, é hora de bater um papo e avaliar se há algo de errado acontecendo.

Claro que nem todos os casos são alertas, e alguns são apenas pura diversão ou para seguir moda. Mas, todo cuidado é pouco diante de uma geração onde o “tarja preta” é algo cada vez mais comum, principalmente o famoso Rivotril.

Em caso de algum problema detectado, busque a ajuda profissional, como o psicólogo, médico ou terapeuta holístico.

Jeferson Machado Santos.
CRF-SE: 658. 
Farmacêutico pela Universidade Federal de Sergipe - UFS.
Habilitação em Bioquímica Clínica pela Universidade Federal de Sergipe - UFS.
Especialista em Administração de Empresas pela FIJ-RJ.
Especialista em Farmacologia e Interações Medicamentosas pela Uninter-IBPEX.

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