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Especial Itabaiana 129 anos: Chegança Santa Cruz, tradição de pai para filho viva no município serrano

No dia do Folclore, conheça a história do grupo folclórico mais importante de Itabaiana, a Chegança do seu Zé da Biné.
por Redação do Portal Itnet
22/08/2017 19:25h
Atualizado em 22/08/2017 21:04h

 Por Taís Cristina

“Vamos depressa, vamos embarcar. Vamos depressa, vamos viajar. O navio está no porto, não podemos demorar!” É com essa cantoria que convidamos você leitor a conhecer a Chegança Santa Cruz, grupo cultural mais antigo de Itabaiana, no Agreste de Sergipe, comandado pelo Capitão-piloto Zé da Biné, que desde seus 15 anos dedica sua vida à Chegança e a manter viva a cultura da cidade serrana. “Embarca, embarca, embarca logo, embarca depressa, que a hora é essa. Tocou o apito já, tocou o apito. Embarca depressa, que a hora é essa.”

Fotos: Taís Cristina

 

    “Eu aprendi a gostar da Chegança como se gosta de um filho.” É dessa maneira que o senhor José Serafim de Menezes, o “Zé da Biné”, fundador da Chegança Santa Cruz, define com os olhos cheios de alegria, nos seus 84 anos de vida, o que sente pelo grupo folclórico fundado por ele, no dia 10 de abril de 1947 e ainda em atuação.

    Diferente de quando começou com os seus 15 anos de idade, hoje Zé da Biné já não tem a mesma saúde e vitalidade, mas isso não o impede de participar das apresentações do grupo; sentado em uma cadeira de rodas, o Capitão-piloto comanda com felicidade e honra a representação das lutas com espadas que ocorriam entre mouros e cristãos em embarcações da marinha.O grupo possui atualmente 24 integrantes.

    “Nós já estamos cientes, que vamos partir para a guerra. Deixando a nossa, querida terra.” Junto a essa cantoria, o som dos pandeiros faz “TIM, TUM, TUM, TIM, TUM, TUM”, e emociona quem assiste as apresentações. É notável também o amor e o comprometimento dos integrantes pelo grupo. São pessoas de olhares cansados, que expiram simplicidade, muitos nunca nem estudaram sobre as lutas marinhas entre mouros e cristãos, mas interpretam e cantam fielmente as cantorias como se estivessem realmente lutando em alto mar.

    Sobre esses olhares cansados, um deles chamaa atenção. Jonas, um senhor de 69 anos de idade, aposentado, mostra no olhar que já batalhou muito na vida. Ele é um dos membros mais antigos do grupo [e um dos mais animados também]. Começou na Chegança aos 25 anos e hoje interpreta o contra-mestre. Jonas também é o braço direito do Capitão-piloto Zé da Biné; quando este está adoentado, Jonas assume o comando da Chegança nas apresentações.

    “A Chegança é um folclore muito antigo, de responsabilidade, muita educação e moral. Ela é muito importante para mim.” Foi isso que Jonas falou, meio embaraçado e sem saber direito o que responder, quando perguntei sobre a importância do grupo para ele. Na verdade, a resposta de seu Jonas estava no olhar, no brilho dos seus olhos deu para notar o seu amor pela Chegança.

    Uma parte legal da história da Chegança é que ela passa de pai para filho, de geração para geração. Além dos filhos e dos netos de Zé da Biné participarem, filhos e netos de outros integrantes mais antigos também participam. Um deles é Valter, de 49 anos, filho do contra-mestre Jonas, citado acima. Valter cresceu no grupo ao lado do seu pai, começou a participar aos 12 anos de idade e hoje seu filho de apenas cinco anos também já participa.

   - Por que a Chegança é importante para você Valter?

-Porque com ela eu sei que existe folclore e cultura na nossa cidade. É uma coisa que conheci na infância e me lembra bons tempos. Enquanto eu tiver vida eu vou continuar participando e trazendo meus filhos também.

    Seu Zé da Biné fala com orgulho e sorriso no rosto sobre as premiações e as apresentações que já fez junto a Chegança. Além de se apresentar no próprio município de Itabaiana e em outros municípios sergipanos, como por exemplo, no Encontro Cultural de Laranjeiras e no Museu da Gente Sergipana, em Aracaju, a Chegança também já fez apresentações em São Paulo e em Valência, na Espanha, onde ganhou um prêmio no I Congresso Internacional de Embaixadas e Embaixadores, em 2015.

    “Eu amo a Chegança e quero levar ela e a cultura do meu município para outros lugares, com ela eu aprendi muitas coisas. Quando eu não puder mais comandar, meus filhos ficarão no meu lugar.” Conta ele com muito orgulho.

    Zé da Biné já foi homenageado em um evento que ocorreu em Itabaiana no ano de 2015. Os organizadores da Bienal do livro homenagearam o Capitão-piloto e fundador da Chegança Santa Cruz, com uma estátua em uma das avenidas principais do município, para assim, eternizar esse nome na cultura e na história de Itabaiana.

    Em março de 2016, a Chegança participou do concurso que elegeu as Sete Maravilhas de Itabaiana. Na disputa estavam 30 candidatas, entre belezas naturais, manifestações culturais e patrimônios do município. O grupo de Zé da Biné não foi escolhido como uma das Sete Maravilhas, mas o concurso tornou a Chegança ainda mais conhecida no estado.

Essa foi a história de Zé da Biné, de Jonas, de Valter, de Giselma; essa foi a história da Chegança Santa Cruz, grupo cultural mais antigo de Itabaiana, que está “forte-fixe” na luta para manter viva a cultura e a tradição da cidade serrana. “Embarca, embarca, embarca logo, embarca depressa, que a hora é essa. Tocou o apito já, tocou o apito. Embarca depressa, que a hora é essa”.

Olho: “Eu amo a Chegança e quero levar ela e a cultura do meu município para outros lugares, com ela eu aprendi muitas coisas. Quando eu não puder mais comandar, meus filhos ficarão no meu lugar.”

–Zé da Biné

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