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Especial Itabaiana 129 anos: conheça a história de Zé de Dalina, figura popular de Itabaiana

Se você viveu sua infância no início dos anos 2002, você certamente tinha medo dele. Conheça a história que há por trás disso.
por Redação do Portal Itnet
23/08/2017 20:18h
Atualizado em 24/08/2017 07:54h

Por Taís Cristina

Essa história, talvez ninguém tenha contado ainda por achar desnecessária, por achar que ninguém se interessa. Quem pensar assim se engana, pois, são essas histórias e essas pessoas que fazem de Itabaiana um lugar tão especial.

Se você viveu sua infância no início dos anos 2002, você certamente tinha medo de Zé de Dalina. José Carlos de Santana, de 68 anos, é uma figura histórica bastante conhecida em Itabaiana, por viver perambulando pelas ruas com elementos pertencentes ao cemitério, como cruzes, espalhados pelo corpo – o que assustava bastante as crianças na época. Por não ter onde morar, Zé de Dalina dormia no relento, sobre túmulos do cemitério e bebia água de esgoto.

Foto: Zé Dalina

Porém, poucos sabem a história que há por trás desse homem. Zé de Dalina nasceu em Itabaiana, morava com a mãe adotiva, uma feirante do município e trabalhava como mecânico durante a adolescência, quando descobriu que tinha um problema mental. Ainda na adolescência, a mãe de Zé morreu, e ele ficou só no mundo. Sem família e com as complicações da sua doença mental, o único caminho foi ir morar na rua e fazer do cemitério o seu dormitório nas noites.

Zé passou muito tempo ao relento, perambulando pelas calçadas serranas, sem um lar. Foi quando em 2002 a sua história tomou um rumo, e felizmente, um rumo melhor. Um jovem de bom coração decidiu ajudar Zé de Dalina. O nome dele é Fabinho. Todo mundo sabe quem é ele na cidade. Fabinho se sentiu tocado com a vida que Zé levava e resolveu ajudá-lo. Levou ele a uma clínica em Aracaju para tratamento mental, mas ainda achou pouco. Quando Zé recebeu alta, Fabinho decidiu cuidar dele.

Ele então, mesmo com poucos recursos, alugou uma casa para Zé de Dalina morar, fundando então,  em 2002, um abrigo, intitulado mais tarde de Abrigo Nossas Vidas em Suas Mãos, que existe até hoje. Zé de Dalina foi o primeiro abrigado na instituição, e vive sob os cuidados de Fabinho até os dias atuais. Hoje, Zé está numa cadeira de rodas, mas adora sair para passear e ir a um “botequinho”, localizado no centro da cidade, é o seu passeio preferido.

Foto: Fabinho e Zé Dalina

“Fabinho é muito gente boa, é um amigo, se não fosse ele eu tava na rua”, diz Zé, sorridente e satisfeito, ao falar do amigo que te tirou da rua e fez dele, gente novamente. Hoje ele não bebe mais água de esgoto, não dorme ao relento no cemitério, consequentemente, nenhuma criancinha fica assustada ao vê-lo. “Ele é uma pessoa maravilhosa, tudo que alguém faz por ele, ele agradece. Nele eu vejo Jesus”, afirma Fabinho, o seu fiel amigo.



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