Policial

Caso funcionária da Usina Pinheiro: mulher planejou e mandou membros de sua família matar colega de trabalho

Investigação durou seis meses e revelou que a família da mandante tem um longo histórico de crimes de homicídios em pelo menos 5 municípios de SE.
por Redação do Portal Itnet
07/11/2017 10:25h

Uma investigação de seis meses de policiais da Delegacia de Areia Branca e da Divisão de Inteligência da Polícia Civil revelou uma trama macabra movida a rivalidade, inveja, ciúmes e cujo desfecho trágico culminou no assassinato de uma funcionária da Usina Pinheiro, identificada como Juciane de Souza Alves. O crime ocorreu no dia 08 de maio de 2017 na cidade de Areia Branca.

De acordo com a dinâmica dos fatos, às 4h50 da manhã, a vítima aguardava o ônibus de trabalhadores da Usina Pinheiro quando foi surpreendida por dois homens armados em uma motocicleta, que se aproximaram e covardemente executaram a trabalhadora com cinco tiros na cabeça. As investigações começaram poucas horas depois do crime, mas de imediato, os policiais encontraram uma barreira quase intransponível: o pavor dos familiares e colegas da vítima em passar alguma informação para a polícia.

Segundo o delegado Cleones Silva, a hipótese de latrocínio e de dívidas foram logo descartadas e mais adiante a hipótese de crime passional também foi abandonada. Porém, os levantamentos ganharam impulso a partir de informações repassadas pelo disque denúncia 181, que afirmavam que a vítima foi morta pela colega de trabalho Elizete Seixas Santos, conhecida como “Keka”. “Começamos investigar essa hipótese, mas de início quase descartamos essa possibilidade uma vez que era difícil de acreditar que briguinhas internas num setor de trabalho pudesse terminar de uma forma tão violenta”.

Passados alguns dias, essa tese ganhou força quando os investigadores descobriram que o marido de Keka, identificado como Isaías Nunes da Silva, chegou no dia do crime em casa às 5h15 da manhã, exatamente numa motocicleta com as mesmas características da visualizada na cena do crime. Isaías também é funcionário da Usina Pinheiro. Em depoimento, Isaías negou a informação e disse que dormiu o tempo todo em sua casa.

Com o avanço dos trabalhos foi feito uma série de cruzamentos de datas, horários e locais, sendo possível traçar a participação exata de Keka e do marido Isaías na cena do crime. Restava saber quem era a segunda pessoa que estava com Isaías. “Passamos a investigar o histórico criminal dos suspeitos, a vida pregressa dos seus familiares e todo o cotidiano deles. Foi ai que descobrimos que a família de Keka tem um longo histórico de crimes na cidade de Laranjeiras, Capela, Lagarto e Itaporanga D'Ajuda”, disse o delegado.

Motivação

De posse de todas as informações, a única hipótese que sobrou para apontar a autoria do crime foi as brigas confirmadas entre as colegas Keka e Juciane. “De certa forma, os colegas de trabalho e familiares da vítima conheciam a fama dos parentes de Keka e isso desmotivava qualquer depoimento favorável as investigações”.

Os irmãos de Keka foram identificados como sendo Adriano Seixas Santos, o “Nano”, e Welinghton Luiz Santos, o “Etinho”. “Nano tem dois mandados de prisão por homicídio qualificado praticado nos municípios de Capela e Laranjeiras e Etinho também matou duas pessoas nos mesmos municípios. No início, acreditávamos que Keka tinha chamado um dos irmãos para acompanhar o marido na empreitada criminosa e novamente a surpresa: ela se valeu de um sobrinho para executar a colega”, ressaltou Cleones.

O sobrinho foi logo identificado como Elison Seixas Santos, conhecido como “Júnior”, com mandado de prisão em aberto por ter matado um rival em Itaporanga D'Ajuda e respondendo a um inquérito policial na cidade de Lagarto por tentativa de homicídio. Segundo a peça investigatória, Elisson e um comparsa tentaram matar um rapaz no povoado Jenipapo, zona rural de Lagarto, sem motivação aparente. “Ele sacou um revólver e deu um tiro na cabeça do rapaz e para sacramentar o crime pegou uma motocicleta e ainda passou por cima da cabeça da vítima, que foi socorrida e milagrosamente conseguiu sobreviver”, disse.

Saldo da investigação

Até o momento, Keka e Isaías foram presos na cidade de Laranjeiras. Elisson foi preso enquanto fazia uma tatuagem no bairro Bugio, em Aracaju, e Nano e Adriano foram presos na zona rural de Macambira por terem mandados de prisão preventiva e definitiva expedidos contra eles por diversas Comarcas de Sergipe pelos crimes de homicídio qualificado.

No momento da prisão de Adriano, os policiais também apreenderam três espingardas, sendo uma de calibre 12. “Fizemos o flagrante dele pelo crime de posse ilegal de arma de fogo cuja pena é de até três anos de prisão. O crime cabe fiança, mas não foi aplicada devido ao histórico criminal do suspeito e o juiz plantonista confirmou essa decisão convertendo esse flagrante em mais uma prisão preventiva em desfavor de Nano”

O delegado acrescenta que as investigações continuam no sentido de identificar outras pessoas que de alguma forma deram suporte ao cometimento do assassinato. Além da Delegacia de Areia Branca e do Dipol, estiveram envolvidas na operação a Delegacia de Malhador, a Coordenadoria de Polícia Civil do Interior (Copci) e o Complexo de Operações Policiais Especiais (Cope).

Fonte: SSP/SE

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