Política

Caça Fantasmas: Deotap conclui que servidores nomeados por Valmir Monteiro enquanto deputado não trabalhavam na Alese

Na investigação ficou evidente que servidores nomeados pelo então deputado Valmir Monteiro não trabalhavam na Alese, mas em locais pertencentes ao parlamentar ou a sua família
por Redação do Portal Itnet
11/05/2018 15:23h

Por SSP/SE.

O Departamento de Crimes contra o Patrimônio (Deotap) concluiu na última segunda-feira, 7, mais uma etapa sobre as investigações sobre a existência de funcionários fantasmas e cargos comissionados que serviam a interesses do ex-deputado estadual Valmir Monteiro. O inquérito foi aberto em 2015, embasado em requisições do Ministério Público.

De acordo com a delegada Thais Lemos, que coordenou as investigações, um dos então nomeados pelo ex-deputado estadual, o senhor José Correia de Carvalho, tentou solicitar aposentadoria rural que foi negada pela existência de um vínculo com a Assembleia Legislativa de Sergipe (Alese). Diante das circunstâncias, o inquérito foi aberto para apurar a distribuição de cargos comissionados pelo então parlamentar.

Em depoimento, o senhor José Correia de Carvalho alegou que não tinha conhecimento da existência do vínculo com a Alese e que tampouco tinha trabalhado na instituição; assim como negou ter ficado com alguma soma em dinheiro ou devolvido valores ao ex-deputado. Ele disse que atuou como aliado político, sendo cabo eleitoral e recebendo a promessa de que, caso o então parlamentar fosse eleito, a esposa receberia um emprego.

Conforme prometido, a esposa do investigado, Josefina da Silva, recebeu um cargo na Alese, onde, segundo apurado, foi orientada pela assessoria parlamentar de que o trabalho consistia em comparecer dois dias na instituição e outros três em uma maternidade que a família do então deputado possuía na cidade de Lagarto, cidade de origem do então político.

No entanto, nem o investigado e nem a esposa possuíam qualificação para atuação nas funções a que foram designados. Ainda em depoimento, ele não soube precisar a nomenclatura do cargo do qual foi nomeado. Já a esposa disse que desconhecia o vínculo do marido com a Alese, confirmou que o dinheiro era depositado em uma conta e disse que foi exonerada pouco tempo depois da nomeação.

Diante do exposto, o Deotap solicitou da Assembleia Legislativa a lista de servidores lotados junto ao gabinete do então deputado. De posse dos nomes, percebeu-se que a maioria das profissões cadastradas constavam como lavrador ou trabalhador rural, o que não condizia com as funções para as quais haviam sido nomeados.

Ainda segundo a delegada, a maioria dos servidores convocados para esclarecimentos não sabia sequer a localização do gabinete do então deputado dentro do prédio da instituição ou a correta nomenclatura dos cargos que haviam sido nomeados.

Também constatou-se que muitos trabalhavam em uma associação rural no povoado Água Fria, na cidade de Salgado, o que atestou que os servidores foram nomeados não para exercício de qualquer função na Alese, mas sim para finalidades particulares do então deputado.

A defesa do ex-deputado alegou que a associação era um escritório para atender as necessidades de saúde da população local. Mas, as investigações também apontaram que não há documentação que ateste a existência dessa unidade nas funções citadas, além de que a própria comunidade reconhece o local apenas como uma associação.

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