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Especial Itabaiana 130 anos: caminhão também é coisa de mulher!

Conheça a história da Itabaianense Regina Oliveira, que, com apenas 23 anos, carrega o título de heroína das estradas.
por Redação do Portal Itnet
25/08/2018 10:38h

O mês de junho é bastante especial para Itabaiana. O mês é marcado pela tradicional Feira do Caminhão e por homenagens para aqueles que ganham a vida nas estradas do Brasil. A cidade é conhecida em todo o país como a “Capital Nacional do Caminhão”, por possuir o maior percentual desse transporte por pessoa do país.

E quem disse que pilotar caminhão é profissão para homens? Por conta da tradição da cidade, é muito comum que desde crianças as pessoas admirem os caminhoneiros, principalmente os da cidade. Mas, a influência para o exercício da profissão, geralmente, ocorre com os meninos.

É difícil encontrar famílias que não possua algum caminhoneiro, seja pai, avô, tio ou que tenha qualquer outro tipo de parentesco. Mas, na família do comerciante José Luiz de Oliveira e de sua esposa, também comerciante, Inês dos Santos Oliveira, isso é diferente. Quem mantém a tradição da cidade é a filha do casal, a Regina dos Santos Oliveira, de apenas 23 anos.

O casal possui três filhos, Regina é a única mulher e é caminhoneira há um ano. Ela conta que pretende exercer essa função por muitos anos da sua vida, “já virou paixão. Quero ser caminhoineira por muito e muito tempo”, relata Regina.

Ao longo da sua vida, Regina exerceu outras funções. Já trabalhou no comércio de terceiros, na feira e até em restaurante. Um tempo depois, junto a sua família, montou uma mercearia e logo em seguida começou a trabalhar no ramo de verduras, onde começou a ter os seus primeiros contatos com o caminhão.

Ser caminhoneira é uma profissão bastante arriscada e, por esse motivo, no início de sua carreira, ela não obteve a aprovação dos pais. Mas, após um ano de estrada, seus pais já se adaptaram, explica Regina. “Eles tinham medo de acontecer alguma coisa comigo e se preocupavam em me ver perdendo sono.”

Embora seja uma profissão de risco, Regina nunca pensou em desistir, mesmo passando por situações bastantes perigosas nas estradas. Ela viaja pela noite, o que se torna ainda mais perigoso. Mas, em meio a rodovias e manobras arriscadas, a força e a coragem sempre se mantiveram intacta, o que nunca permitiu que ela se abalasse.

Em um meio historicamente ocupado por homens, o preconceito e o machismo se torna recorrente. “Chegaram a dizer que não era coisa de mulher, que mulher nasceu pra pilotar fogão e não caminhão”. Algumas pessoas disseram para ela que ela não seria capaz, mas isso só serviu de incentivo para que ela desse a volta por cima e mostrasse que mulher pode fazer o que quiser, inclusive pilotar caminhão. “Me empoderei e mostrei que quando a mulher quer, ela vai e faz!”

Aos 23 anos de idade, Regina é exemplo e motivo de orgulho para a cidade. Não existe pesquisa que comprove, mas ela deve ser uma das caminhoneiras mais novas da cidade, senão a mais nova. Mesmo muito jovem na idade e na profissão, ela se sente honrada em fazer parte de um meio onde mulheres são minorias, mas que vem crescendo e ganhando espaço.

Para Regina, exercer a sua profissão é muito gratificante, e mesmo sabendo das dificuldades que serão encontradas nesse caminho, ela diz que o caminhão é uma das suas maiores realizações atualmente.

Questionada sobre como é ser caminhoneira aos 23 anos de idade, ela conta que é algo surreal, mas, ao mesmo tempo, muito satisfatório. “Espero permanecer aqui por muitos anos, adquirindo experiência e crescendo dia após dia. Sou muito jovem nesse meio, então rezo para que eu consiga cada vez mais crescer aqui dentro”.

Regina está aí para mostrar que mulher pode pilotar caminhão, se essa for a vontade dela. E que ela pode pilotar fogão também, se essa for a sua vontade. Mulher pode tudo, e o único fator determinante de tudo isso é a vontade própria. Se a mulher quer, ela pode! “E que eu quebre cada vez mais esse tabu, pois as pessoas ainda se surpreendem por saber que eu exerço essa profissão e que por muito tempo eu ainda irei exercer, com fé em Deus”. – Regina Oliveira.

Texto: Katiane Peixoto
Fotos: Federico Di Liscia

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