A primeira fase da Série D do Campeonato Brasileiro de 2021 começa oficialmente neste sábado, dia 5. Com 64 times divididos em oito grupos com oito equipes cada, a última divisão do Brasileirão terá Itabaiana e Sergipe como representantes do nosso estado.

De cada chave, classificam-se os quatro melhores, totalizando 16 times no mata-mata para disputarem o acesso a tão sonhada Série C. Pensando nisso, a It Net traz um apanhado (compacto) sobre o que os times sergipanos terão pela frente no grupo A4 competição.

ASA de Arapiraca

Tradicional time da região Nordeste, o ASA fará, em 2021, sua terceira participação na história na Série D. O time alagoano, que por muito tempo figurou entre as séries B e C, hoje já não tem mais a força de outrora. Com dificuldades financeiras, os alagoanos vão em busca da superação para tentar retornar a terceira divisão, a qual não jogam desde 2017, quando foram rebaixados.

Até aqui, o ano do ASA não foi desastroso, mas também não foi dos melhores. No Campeonato Alagoano, ficou apenas na quinta colocação e não disputou as finais da competição. Em contrapartida, venceram o CSE na Seletiva da Copa do Brasil e asseguraram vaga para a competição nacional no próximo ano.

Com vaga assegurada na Série D do próximo ano após vencer a Copa Alagoas, o Fantasma alvinegro já sabe que terá um 2022 de calendário cheio, mas não deve se contentar com isso. Liderados pelo goleiro Dida e pelo volante Johnnattan – com passam pelo Freipaulistano em 2020, os alagoanos não darão vida fácil para os time sergipanos.

Murici

O outro alagoano do grupo é a equipe do Murici. Fazendo sua quarta participação na Série D após dois anos sem se classificar para o torneio, o Papagaio deposita suas últimas fichas da temporada no certame nacional.

Isso porque, até aqui, o alviverde não conseguiu desempenhar de forma sólida, constante e com grandes feitos em nenhuma das competições. Foi eliminado da Copa do Brasil para o Juventude, caiu na fase de grupos do Campeonato Alagoano e da Copa Alagoas, e também foi eliminado na Seletiva para a Copa do Brasil de 2022.

Apesar de ter no técnico Jadson Oliveira um bom comando, a situação do clube não tende a ser das mais fáceis. Além da falta de calendário para o próximo ano – o que significa ter menos verbas disponíveis -, a dificuldade de um grupo com tantos times tradicionais e “encardidos” pode ser um agravante a equipe alagoana.

Atlético de Alagoinhas

Campeão baiano de 2021, o Atlético chega numa crescente para a quarta divisão do Brasileiro. Além de ter dado sequência aos bons resultados de 2020, quando foi vice-campeão baiano para o Bahia e chegou até a segunda fase da Série D, sendo eliminado para o Goiânia, o Carcará mostrou que tem força de superação.

Passou de fase no Baianão em quarto lugar, no limite das possibilidades, e fez uma campanha emocionante até o título. Primeiro, eliminou, nos pênaltis, a Juazeirense, primeira colocada da fase regular do estadual. Depois, na decisão, venceu o Bahia de Feira mesmo tendo gol contra em seu desfavor e um atleta expulso.

Para além da boa cota de campeão baiano – 135 mil reais -, a equipe chega com espírito de vitória para a Série D. Mesmo tendo perdido Ronan, artilheiro do Baianão com gol cinco gols, para o Vitória, conseguiu a manutenção do técnico Sérgio Araújo a frente da equipe. Promessa de uma equipe extremamente competitiva e dura de se enfrentar.

Bahia de Feira

Vice-campeão baiano, o Bahia de Feira chega num cenário de boas expectativas, mas de algumas incertezas. Mesmo com a frustração de ter deixado o título estadual escapar após ter eliminado o tradicional Bahia nas semifinais, a equipe se classificou pela primeira vez para a Copa do Nordeste e terá calendário cheio para o próximo ano.

O projeto, como já é sabido por muitos, é bastante sólido e estruturado. Tem na Arena Cajueiro uma excelente fortaleza, onde sabe se fazer valer em muitos momentos não só do mando de campo, como também da vantagem de ter o costume de jogar no gramado sintético.

Todavia, a equipe perdeu três de seus destaques para a Jacuipense, que joga a Série C do Brasileirão. São eles: o goleiro Jean – aquele mesmo, campeão sergipano com Sergipe e Confiança -, o meia Bruninho e o volante Jarbas. O Tremendão baiano não trouxe peças para compensar as saídas, e mesmo mantendo a base do time que fez história no estadual, pode chegar enfraquecido para a Série D. É o adversário do Sergipe na partida de estreia deste sábado.

Juazeirense

De forma bastante curiosa e surpreendente, a Juazeirense não chega no melhor dos momentos para este Brasileiro. Terceiro e último time baiano do grupo, o Carrossel do Sertão foi o primeiro colocado da fase regular do Baianão de 2021 e eliminou Sport e Volta Redonda na Copa do Brasil, conseguindo a incrível façanha de chegar até a terceira fase do torneio nacional.

Apesar dos grandes feitos, o cenário da equipe de Guilherme Lucena, eleito melhor lateral direito do Sergipão 2021 jogando pelo Lagarto, é um pouco imprevisível. Não conseguiu chegar até a decisão do Campeonato Baiano, pois fora eliminado na semifinal para o Atlético de Alagoinhas, e demitiu recentemente o treinador Givanildo Sales – sim, o mesmo que foi campeão sergipano em 2013 com o Sergipe.

O Cancão de Fogo, além da eliminação, vem de duas derrotas. Perdeu amistoso por 3 a 1 para o Botafogo Bonfinense, que se prepara para disputar a segunda divisão do estadual da Bahia, e também perdeu o jogo de ida da terceira fase da Copa do Brasil para o Cruzeiro.

Chega na Série D tentando repetir o feito de 2017, quando conseguiu o acesso para a Série C. Para isso, conta a experiência de Carlos Rabelo, que já trabalhou no clube em outras três oportunidades, do goleiro Rodrigo Calaça, de 40 anos, e do volante Clébson, de 35. Todos com total conhecimento de como funciona a Juazeirense e de quais caminhos devem percorrer para ter sucesso na competição nacional. É o adversário do Itabaiana na partida de estreia.

Retrô

Com estrutura de time de Série A, os pernambucanos de Camaragibe fazem sua estreia na Série D. Apesar do bom começo de ano, quando eliminaram o Brusque na Copa do Brasil e por muito pouco não eliminaram o Corinthians na fase subsequente, o Campeonato Pernambucano foi de decepções.

Não só não conseguiram o protagonismo que se imaginava, como também precisaram jogar o quadrangular de rebaixamento para evitar um possível descenso. Mesmo assim, o clube permanece sendo uma das grandes ameaças do grupo de Itabaiana e Sergipe.

Isso porque, dada a boa engenharia financeira implementada pela diretoria, o Retrô teve condições de reformular seu elenco e comissão técnica para o Brasileirão. Detentora de um projeto audacioso, a Fênix chega com expectativas de mais uma vez surpreender a todos e tomar para si o protagonismo da chave.

Mas, e os sergipanos?

Itabaiana e Sergipe chegam com expectativas parecidas, mas em contextos completamente diferentes. Enquanto o Tremendão sergipano joga a vida nesta Série D, o Mais Querido se encontra num cenário de maior tranquilidade.

Isso porque o Itabaiana, eliminado na semifinal do Sergipão de 2021, não está classificado para nenhuma competição em 2022 e tem assegurado apenas o Campeonato Sergipano para o próximo ano. Para evitar este árduo cenário, o tricolor serrano manteve o treinador Evandro Guimarães, a base do elenco que jogou o estadual e trouxe peças pontuais para completar o plantel.

Será a sexta participação consecutiva do Tremendão na quarta divisão do brasileiro, e a expectativa é incerta. O time itabaianense chegou nas quartas de final duas vezes nos últimos anos, e nas duas bateu na trave para subir para a Série C. Agora, com menos condições e menos brechas para errar, terá que mais uma vez se reinventar para tentar fazer história em uma das competições mais difíceis do cenário nacional.

Já o Sergipe, mesmo que de forma surpreendente, chega com o clima tranquilo. Em meio a diversos problemas financeiros, sagrou-se campeão sergipano de 2021 de forma quase que heroica, garantiu vaga na Copa do Brasil, Copa do Nordeste e na Série D do próximo ano, e vai para o Brasileirão talvez da forma mais sólida dos últimos tempos.

Assim como em 2020, quando foi vice-campeão estadual, e também como no início desta temporada, não deu nenhum passo maior que a própria perna. Soube ser inteligente dentro do contexto que se encontra. A diretoria do vermelhinho manteve toda a comissão técnica e grande parte do plantel de jogadores que conquistou o Sergipão, além de reforçar o elenco em cima das carências que existiam.

O favoritismo pode existir pela tradição como instituição, mas precisará novamente se superar para conquistar o acesso. Não só por nunca ter chegado sequer as quartas de final da Série D, como também pelo alto nível de competitividade e dificuldade que terá pela frente.

De toda forma, será um Brasileirão – como sempre – muito imprevisível para os sergipanos. Que aconteça o melhor!

Foto: Marcos Freitas/Agência Mirassol