Você sabe qual é a relação entre violência contra animais e contra pessoas?

Estudo da UFS mostra como veterinários podem identificar essa ligação e ajudar no combate à violência doméstica.

Muita gente pode não saber, mas o profissional de Medicina Veterinária compreende um elemento importante na quebra do ciclo de violência doméstica. Quando o veterinário atende animais em situação de maus-tratos e denuncia o fato às autoridades, pode também livrar uma pessoa de uma situação de agressão. É o que indica a teoria do elo (ou do link).

Essa argumentação permeia o trabalho de conclusão de curso de Ylka Priscilla Alves dos Santos, do curso de Medicina Veterinária do campus do Sertão da UFS, em Nossa Senhora da Glória, apresentado em 9 de julho de 2021.

“Por perceber que os profissionais, médicos veterinários principalmente, não conheciam ou não conhecem o que é a teoria do elo, senti a necessidade de poder disseminar esse conhecimento tão importante para que todos estejam cientes e educados do que se trata essa teoria e assim ter um maior cuidado ao se presenciar tais violências”, diz Ylka.

O trabalho procurou mostrar como o trabalho em conjunto dos veterinários com outros profissionais ganha relevo para o desmantelamento dessas agressões. Buscou-se também conscientizar as pessoas sobre a ligação que existe entre a violência contra os animais e a violência interpessoal e como elas podem intervir em casos de maus-tratos aos animais através da denúncia.

Ainda de acordo com o estudo, a teoria do elo indica que os maus-tratos aos animais estão intimamente conectados com outros atos de violência, principalmente a violência doméstica, envolvendo na maioria das vezes todo o seio familiar, muitas vezes uma violência passada e reproduzida por gerações.

“Por isso, crimes contra os animais precisam ser tratados como um potencial indicador de violência interpessoal e assim servindo de alerta para as autoridades e toda sociedade, sendo imprescindível a intervenção por parte dos profissionais e outros órgãos competentes para que esse ciclo seja quebrado”.

A teoria do elo

Segundo a professora Roseane Nunes, os estudos sobre a relação entre os maus-tratos aos animais e a violência doméstica iniciaram-se há décadas.
Segundo a professora Roseane Nunes, os estudos sobre a relação entre os maus-tratos aos animais e a violência doméstica iniciaram-se há décadas.

A capacidade de um agressor em agir de forma violenta, por ações diretas ou indiretas, contra animais e pessoas, especialmente no âmbito doméstico e familiar, caracteriza os estudos atinentes à teoria do elo. A ocorrência dos maus-tratos aos animais de companhia não é um fator isolado – esse abuso serve como sinalizador de problemas na família.

Segundo a professora Roseane Nunes, do Núcleo de Graduação em Medicina Veterinária do campus do Sertão, os estudos sobre a relação entre os maus-tratos aos animais e a violência doméstica iniciaram-se há décadas. Entretanto, somente em 2012 Frank Ascione e Phil Arkow perceberam a ligação que há entre abuso infantil, violência doméstica e crueldade animal e, dessa forma, deram início às pesquisas sobre a teoria do elo.

No campus do Sertão, o tema está sendo desenvolvido em grupos de estudos e em parceria com o grupo de pesquisa Xique-Xique da UFS/CNPq que trabalha com a temática das violências de gênero.

Como denunciar

A professora Roseane, que orientou o TCC de Ylka, conta que muitos médicos veterinários clínicos que atuam com animais de companhia (cães e gatos) não conhecem a teoria do elo.

Esses profissionais, portanto, ao se depararem com um caso de maus-tratos podem não associar à violência doméstica. Ainda segundo ela, o médico veterinário deve estar apto para diferenciar lesões acidentais de maus-tratos a fim de que, quando for o caso, realizar a denúncia.

“A denúncia deve ser feita em qualquer delegacia ou delegacia especializada, como a que temos atualmente em Sergipe, a Depama”, diz. O telefone da Delegacia de Proteção Animal e Meio Ambiente, que fica no conjunto Orlando Dantas, em Aracaju, é (79) 98819-4576.

“Pretendo continuar pesquisando sobre essa área a fim de me capacitar e, quem sabe, poder trabalhar nela. Esse assunto mexe muito comigo, é algo que desde o primeiro contato com o tema me fez querer conhecer mais e poder aprender e disseminar esse conhecimento”, conclui Ylka Priscilla.

Fonte e fotos: Portal UFS