Plantas do semiárido brasileiro ajudam no tratamento de enfermidades, principalmente na cicatrização de lesões

O Laboratório de Neurociências e Ensaios Farmacológicos desenvolve tecnologias com objetivo de fornecer para a comunidade, alternativas eficazes para o tratamento de feridas.

Historicamente o uso de plantas medicinais tem sido uma importante alternativa para o tratamento de diversas enfermidades. Além do uso popular terapêutico, elas tem fornecido biomoléculas, que ao longo dos anos contribuem para a obtenção de vários fármacos, até hoje muito utilizados na clínica, como a morfina. Tem sido ainda a base para confecção de fármacos sintéticos e se mostrado vantajosa no que se refere à menores reações adversas e efeitos colaterais.

Da mesma forma, as plantas do semiárido, as quais muitas ainda não tem suas propriedades bem elucidadas pela ciência, são compostas por uma imensa variedade de moléculas bioativas que tem sido utilizadas popularmente na região nordestina para o tratamento de diversas doenças.

Dentre essas doenças destaca-se as feridas crônicas que são um problema de saúde pública. São elas as Lesões por Pressão (LP), Úlcera Diabética e Úlcera Vasculogênica Crônica (UVC), as mais frequentes e associadas à doenças comuns na população idosa principalmente.

Grande parte desta população não tem condições de financiar os longos tratamentos convencionais e por isso, recorrem principalmente as plantas medicinais como principal forma de tratamento.

Nos últimos anos, a busca por novos compostos bioativos com intuito de acelerar o processo cicatricial tem mostrado resultados promissores para a cicatrização de feridas, as principais plantas estudadas tem sido: angico (Anadenanthera colubrina); aroeira-vermelha (Schinus terebinthifolius Raddi);  caroá (Neoglasiovia variegata); canela de velho (Miconia albicans); catingueira (Caesalpinia pyramidalis); faveleira (Cnidoscolus phyllacanthus); babosa (Aloe vera); canudinho ou também conhecida como sambacaitá (Hyptis pectinata L. Poit), e jitirana-azul (Ipomoea nil).

Estas são encontradas facilmente no semiárido brasileiro e amplamente utilizadas na medicina popular, como cicatrizante. A presença de moléculas bioativas como flavonóides e terpenos é uma característica comum dessas plantas.

Além dos avanços no estudo das plantas, a ciência e tecnologia tem buscado tornar a cicatrização de uma ferida mais rápida e bem sucedida através de um ambiente ótimo proporcionados por inovadores curativos especiais e modernos.

São eles os filmes, membranas, espumas, hidrogéis etc., que trazem diversas vantagens (a não necessidade de trocas diárias, biodegradável, biofuncional, biocompatível com baixa toxidade e antimicrobianos) e ainda podem permear ingredientes ativos de plantas ou interagir diretamente com as células facilitando a cicatrização

Daí a importância da ciência e tecnologia, na investigação da ação de compostos oriundos de plantas medicinais, no desenvolvimento de novos fármacos e no fornecimento de informações de incentivo e atenção para comunidade a respeito do uso correto das mesmas, inclusive acerca de possíveis reações adversas e efeitos colaterais.

A Universidade Federal de Sergipe, conta com pesquisadores responsáveis por investigar os compostos de plantas, e desenvolver diversos produtos.

Alguns destes à base de compostos provenientes de plantas como o orégano; limão; laranja; maracujá; sambacaetá entre outras já foram desenvolvidos e apresentaram resultados promissores para a cicatrização de feridas.

O Laboratório de Neurociências e Ensaios Farmacológicos – LANEF, vem desenvolvendo tecnologias com objetivo de fornecer para comunidade em geral alternativas eficazes para o tratamento de feridas.

*Essa matéria foi desenvolvida por integrantes do Programa de Pós-graduação em Ciências Aplicadas à Saúde da UFS de Lagarto, que semanalmente trará matérias sobre assuntos de interesse da população, aqui no Portal Itnet