A pesquisa do PPGCAS tem como objetivo auxiliar em estratégias de intervenção no controle da leishmaniose visceral no município.

O crescimento do quantitativo de cães domiciliados e não domiciliados somado com a ausência de educação para guarda responsável, principalmente em áreas menos favorecidas socioeconomicamente, traz o aumento de problemas relacionados a doenças vinculados aos animais. Dentre essas doenças, destaca-se a leishmaniose como uma das principais zoonoses existentes no país.

A leshmaniose é uma doença infecto-parasitária causada por um protozoário da família Trypanosomatidae. O ciclo da doença inicia quando fêmeas de flebotomíneos (mosquito palha) realizam repasto sanguíneo, principalmente em cães infectados e doentes e ingerem células parasitadas, assim estes insetos podem infectar mamíferos,  na maioria das vezes cães e seres humanos, independentemente da idade, além disso, possui evolução grave se não tratada adequadamente.

Essa doença pode apresentar três formas principais e as manifestações clínicas dependem em parte das espécies parasitaria envolvida: a leishmaniose visceral ou calazar, a cutânea e a mucocutânea. A forma clínica do calazar é altamente endêmica no subcontinente indiano, África Oriental e América do Sul, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS)  nesse continente o Brasil é responsável por mais de 90% da doença notificada em humanos.

Segundo dados do Ministério da Saúde em 2019, o Brasil apresentou 2.471 casos, sendo a região nordeste com o maior número destes, 1398 novos casos. Em 2019, o estado de Sergipe notificou a incidência de 55 casos e uma taxa de letalidade de 14,3% nesse mesmo ano, o que representa a maior taxa dentre os estados nordestinos brasileiros. Com isso, Sergipe é considerado um estado de transmissão intensa e de grande importância epidemiológica.

Nesse contexto, o médico veterinário Jamisson Santos sob a orientação das professoras Grace Dória e Roseane Campos, do Programa de Pós-Graduação em Ciências Aplicadas à Saúde (UFS-Lagarto) estão realizando uma pesquisa para analisar a prevalência de anticorpos anti-leishmania em amostras de cães domiciliados e associar com indicadores epidemiológicos no município de Lagarto, Sergipe.

Foram coletados dados de 755 cães presentes na zona rural e urbana entre 2017 a 2020 no Centro de Controle de Zoonoses do município.

A localização espacial demonstrou ampla distribuição geográfica da doença no município e 73,1% (552) dos cães residiam com seus tutores em áreas que não apresentavam saneamento básico e com presença de áreas verdes em todos os domicílios. Ademais, a grande maioria dos animais eram assintomáticos, sem sinais clínicos sugestivos da doença e dormiam fora das residências. Fatores que influenciaram a transmissão da leishmaniose.

Outros fatores observados que podem estar associados com evolução da doença foi a presença de onicogrifose (espessamento e aumento patológico das unhas dos animais), anorexia, êmese, apatia e emaciação.

Foram realizados testes sorológicos (imunocromatografico-TR DPP e o teste de ELISA), os quais houve associações com alguns indicadores de saúde, fato que corrobora com o crescimento exponencial da doença no município

Dessa forma, a leishmaniose no município de Lagarto apresenta um cenário preocupante em relação à distribuição, transmissão e manutenção do ciclo da doença, o que pretendemos com os achados da pesquisa é auxiliar em estratégias de intervenção no controle da leishmaniose visceral no município.

*Essa matéria foi desenvolvida por integrantes do Programa de Pós-graduação em Ciências Aplicadas à Saúde da UFS de Lagarto, que semanalmente trará matérias sobre assuntos de interesse da população, aqui no Portal Itnet