CASO GENIVALDO: PRF afasta os agentes envolvidos no caso. The Intercept divulgou os nomes

De acordo com o The Intercept, o boletim de ocorrência foi registrado por cinco policiais rodoviários federais.

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) informou na última quinta-feira, 26, que afastou das atividades, os policiais envolvidos na abordagem que resultou na morte de Genilvaldo de Jesus Santos, de 38 anos, de forma cruel, em Umbaúba, na quarta-feira, 25.

A PRF disse que não vai informar os nomes dos agentes, mas o site The Intercept teve acesso aos dados e divulgou os nomes dos cinco policiais que registraram o boletim de ocorrência: Clenilson José dos Santos, Paulo Rodolpho Lima Nascimento, Adeilton dos Santos Nunes, William de Barros Noia e Kleber Nascimento Freitas.

De acordo com o The Intercept, “os agentes confessam no boletim que usaram “espargidor de pimenta e gás lacrimogêneo”, em função da “agitação do abordado”. Eram “tecnologias de menor potencial ofensivo””.

Nos vídeos que foram feitos no dia só são vistos dois agentes abordando e maltratando Genivaldo, porém, cinco policiais registraram o Boletim. O Ministério Público Federal (MPF) em Sergipe deu 48 à PRF explicar o caso.

A Polícia Federal em Sergipe disse que já instaurou o inquérito para investigar o ocorrido, que repercutiu nacionalmente em diversos veículos de imprensa, por conta da crueldade empregada na ação policial.

O Instituto Médico Legal (IML) informou por meio de boletim que Genivaldo morreu por asfixia mecânica e insuficiência respiratória aguda.

ABORDAGEM E MORTE DE GENIVALDO:

Segundo familiares e testemunhas, Genivaldo trafegava de moto na BT-101, quando recebeu ordem de parada dos agentes da PRF e obedeceu, mas mesmo assim foi agredido verbalmente e fisicamente, mesmo sem esboçar nenhuma reação à ação e também sem estar armado.

A família disse que após ser agredido com empurrões e chutes, Genivaldo foi colocado no porta malas da viatura, que estava repleto de gás lacrimogêneo.

Vídeos que circulam nas redes sociais mostram toda a ação, inclusive, Genivaldo gritando por socorro e ajuda, em meio ao porta malas tomado da fumaça do gás. Mesmo com o apelo do homem e de quem presenciava o fato, os policiais não deixaram ele sair e ele inalou bastante gás.

Ainda segundo a família, Genivaldo sofria de esquizofrenia e um sobrinho dele chegou a alertar os policiais sobre essa condição dele. No momento da abordagem, ele estava com uma cartela de comprimidos no bolso.

Genivaldo, que deixou esposa e um filho morreu no hospital do município, para onde foi levado pelos dois agentes. A família e toda a cidade quer uma resposta e explicação à ação cruel.

O QUE DISSE A PRF:

Por meio de nota, a assessoria da PRF de Sergipe lamentou o desfecho da ação e disse que a conduta dos dois policiais será apurada.

Segundo a PRF, Genivaldo resistiu à abordagem, expressou agressividade e por conta disso “foram empregadas técnicas de imobilização e instrumentos de menor potencial ofensivo para sua contenção”.

Ainda de acordo com a nota, durante o deslocamento até a delegacia, Genivaldo passou mal, foi socorrido e encaminhado ao hospital, mas não resistiu.

REVOLTA E COMOÇÃO:

Inconformados com o desfecho do caso, os moradores de Umbaúba fecharam a BR-101 na última quinta, queimaram pneus em protesto e pedindo justiça e uma resposta rápida das autoridades, para que os policiais envolvidos na ocorrência sejam punidos devidamente.

O sepultamento de Genivaldo, ocorrido também na quinta foi marcado por muita comoção dos familiares e amigos.