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GENTE QUE SUA, TRABALHA E INSPIRA: lugar de mulher é pilotando uma moto, sim “sinhô!”

Conheça a história da moto taxista que supera preconceitos e luta diariamente pelo seu espaço e sua renda.
por Redação do Portal Itnet
23/03/2019 10:20h

Por Taís Cristina, jornalista. DRT SE/2411

Em Itabaiana, “tudo que se planta dá”. Uso esta metáfora para me referir ao talento, força e empreendedorismo dessa terra e sua gente. Quem vive em Itabaiana supera desafios e dá um jeito de driblar a crise, dificuldades e conseguir o seu “ganha pão”, sempre.

O Portal Itnet inicia hoje uma série de reportagens com histórias de pessoas que são exemplo do que foi dito acima. São pessoas simples, humildes, que acordam cedo, suam, escorrem o suor, lutam, sempre com um sorriso no rosto e de forma autônoma e honestamente fazem a sua renda e ocupam o seu tempo com muito trabalho.

Três histórias diferentes, mas que partem do mesmo princípio: o de que o trabalho honesto pode não enriquecer, mas engrandece; o que não pode é ficar parado e cada um, com o seu talento, deve correr atrás da sua renda, do seu pão de cada dia.

SÔNIA REGINA, 54 anos, moto taxista.

Foto: Taís Cristina


Ex-peixeira, cuidadora de idosos e crianças, jornaleira, ela trabalha nesta profissão há 19 anos, e há um desempenha aqui em Itabaiana. Natural de Minas Gerais, mas tendo passado grande parte de sua vida na região Sul, Sônia veio morar em Itabaiana para fugir do frio. “Eu queria muito morar no Nordeste, e vim para cá porque era aqui que a minha filha já morava”, conta.

Ser moto taxista é uma profissão bastante comum no município. Como em Itabaiana não há transporte coletivo, o serviço de moto-táxi para transporte de passageiros cresce junto com a cidade.

Atualmente, são mais de 600 moto taxistas, numa população de quase 100 mil habitantes. Para trabalhar na legalidade é preciso além de ter uma moto e carteira de habilitação, se associar na Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito (SMTT), que fiscaliza a categoria.

Foto: Taís Cristina


A profissão é vista como “coisa de homem”, e as mulheres que são, enfrentam muito preconceito. “Só há eu e mais duas e é muito difícil lidar com o preconceito. Só porque sou moto taxista levo fama de ‘sapatão’”, relata ela.

Sônia enfatiza que muitas pessoas se negam a fazer uma corrida com ela justamente pelo fato de ser uma mulher, e considera este o maior desafio de sua profissão, mas pretende continuar trabalhando, afinal, é desse serviço que sobrevive.

A moto taxista mora sozinha em uma casa pequena e alugada, próximo ao ponto onde trabalha, que fica às margens da BR-235, no bairro Oviêdo Teixeira. A única pessoa que ela tem aqui é a sua filha, mas as duas não moram juntas.

Ah, já ia esquecendo, ela não mora totalmente sozinha! “Minha única companhia é a minha gata, Shynaia, que tenho há 15 anos”. Foi com a gata que Sônia veio de Joinville, onde morava para cá, de moto, percorrendo mais de dois mil Km. Isso se chama coragem!

Sônia e sua gata, Shynaia. Foto: Taís Cristina


O ponto onde a moto taxista trabalha fica situado no trevo que dá acesso a Campo do Brito, Macambira, etc., em uma área bastante movimentada, e para ela isso é muito bom, porque o constante fluxo de pessoas favorece no número de corridas.

Sônia trabalha de domingo a domingo, porque como arca com todas as despesas da casa sozinha, precisa se esforçar muito para conseguir dinheiro para pagar tudo e se divertir quando dá, afinal, “ninguém é de ferro”. Isso se chama garra!

Momentos antes de Sônia  e Shynaia virem  para Itabaiana


“Nas horas que não estou trabalhando faço caminhada e aos domingos à tarde gosto de tomar sorvete no shopping. Essa é a minha diversão”, lembra Sônia.

Além de transportar os passageiros que chegam até o ponto, ela também fornece o seu contato através de um cartãozinho, para que as pessoas liguem e solicitem o seu serviço. É a modernidade no ramo, porque quem não inova, fica para trás.

Cartãozinho que ela entrega aos clientes


Como já dito, o preconceito atrapalha a profissão, mas como boa brasileira, Sônia não desiste e quer continuar seguindo em frente, sempre.

-Sônia, o que você tem a dizer às pessoas que tem preconceito por você ser uma moto taxista? Pergunto.

-O preconceito é uma coisa muito feia. As pessoas precisam aprender a respeitar umas às outras e respeitar também o que cada um faz, pois é dessas profissões que tiramos a nossa renda. Finaliza ela, com os olhos cheios de esperança.

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