Cidade

GENTE QUE SUA, TRABALHA E INSPIRA: “o segredo da minha receita é o amor”, diz Maria do Mingau

Hoje é dia de fechar com “chave de ouro” a nossa série! Conheça a história da mulher que faz o mingau [e a sopa] mais famosos de Itabaiana.
por Redação do Portal Itnet
25/03/2019 12:11h

Por Taís Cristina, jornalista. DRT SE/2411

O Portal Itnet encerra hoje a série GENTE QUE SUA, TRABALHA E INSPIRA. Na última reportagem, você vai conhecer a história da mulher que faz o mingau, a sopa, a canjica, o arroz doce, etc. mais famosos de Itabaiana.

MARIA MENEZES, Maria do Mingau, 54 anos.

Foto: Taís Cristina


Quem passa pelo cruzamento das Ruas Boanerges Pinheiro e Capitão José Ferreira e vê um amontoado de gente ao redor de uma barraca todo dia à noite imagina que ali aconteceu algo. Mas não, não é nada grave. São apenas pessoas comprando produtos alimentícios na barraca de Maria do Mingau.

Maria Menezes, de 54 anos é uma daquelas mulheres de fibra que são exemplo de honestidade e muita luta. Ela vende mingau há 28 anos, por isso ficou conhecida em toda Itabaiana como “Maria do Mingau”. Mãe de dois filhos, ela nasceu e cresceu na zona rural do município, e veio morar na cidade quando casou.

Foto: Taís Cristina


Maria estudou só até a segunda série e sempre trabalhou para ajudar nas despesas da casa, mas percebeu que teria que “se virar mesmo” quando se separou. “Eu já vendia mingau para ajudar na casa, mas quando me separei vi que teria que trabalhar mais ainda para dar de comer aos meus filhos”, conta.

Então ela decidiu ampliar a sua produção, e além do famoso mingau de puba, começou a fazer também arroz doce, canjica, pamonha e sopa de vários sabores. A sua freguesia é fiel e sempre volta. Maria não pensa em sair do seu ponto, porque segundo ela, as pessoas já sabem onde fica e como o local é movimentado, ajuda muito também.

Maria do Mingau se desloca de sua casa até a sua barraquinha de segunda à sábado, no período da noite. Já no domingo ela vai pela manhã. Maria faz tudo sozinha (corta as verduras, temperos, cozinha e serve).

Foto: Taís Cristina


Ela já foi assaltada três vezes, duas na barraca e uma quando chegava em casa, após a venda. “Os ladrões entraram dentro da minha casa para roubar o que conquistei com muito suor”, relata ela. Após isso, Maria começou a ter o apoio da PM para se deslocar até sua residência na volta de sua venda.

Mesmo após esse episódio do roubo, ela não pensou em desistir. “E a gente vai parar é? Tem que entregar nas mãos de Deus e pronto! Porque é desse trabalho que eu tiro o meu sustento”, diz ela, com o seu jeito simples.

Além de ser sua renda, Maria diz que o seu trabalho é também uma distração, porque ela conhece muita gente e acaba criando amizades. “Eu gosto muito do que faço e também de vender em minha barraca. Quando estou triste, as pessoas perguntam o que houve, e quando eu tou feliz deixo todo mundo alegre. Eu gosto demais dos meus clientes, é por causa deles que tenho o meu sustento”.

Foto: Taís Cristina


Mas para uma sopa, um mingau serem tão famosos, deve haver uma receita diferenciada, não é mesmo? Maria diz que o diferencial dela é o amor. “Não tem nada de diferente no tempero, nada, a diferença eu acho que tá porque eu trabalho com amor, e trato os meus clientes bem. Quando eles saem eu sempre digo ‘Deus te proteja’, e as pessoas gostam disso”.

- Maria, o que você ainda espera do futuro?

- Eu quero continuar com a minha profissão, porque amo o que faço, termina.

Com essa história finalizamos a nossa série, que contou histórias de amor pela profissão, muita garra e luta na busca de renda de maneira honesta, de gente que como o nome da série diz, sua, trabalha e inspira. Que você que leu tenha gostado e tirado alguma lição das histórias.

Foto: Taís Cristina


Confira as duas outras reportagens da série:

O garoto que desde cedo faz do engraxe de sapatos o seu “ganha pão”

Lugar de mulher é pilotando uma moto, sim “sinhô!”

Gostou? Compartilhe:

Comente Abaixo