Déda não está satisfeito com a conclusão do inquérito policial do caso Jonatha
Por Joedson Telles O governador Marcelo Déda (PT) não está satisfeito com conclusão do inquérito policial instaurado pela Secretaria de Estado da Segurança Pública para esclarecer a morte de Jonatha Carvalho dos Anjos, 16, que, segundo familiares, foi executado numa operação policial, no dia 13 de março deste ano, na Rodovia SE-304, que dá acesso ao município de Neópolis. Além do menor, três homens suspeitos de envolvimento com o crime também morreram. Na época, o governador afirmou que jamais aceitará execução como política de Segurança Pública em seu governo. "A polícia faz as investigações e encaminha ao Ministério Público. Quem aplica as penalidades é o Poder Judiciário. O MP tem todo o direito de determinar a reabertura de inquérito. As informações que recebi da Secretaria de Segurança Pública foi que não conseguiram identificar a autoria. Que nenhum indício foi levantado para vincular o crime a um ou a mais policiais. O inquérito vai, obrigatoriamente, para o MP, que vai examinar se o inquérito, efetivamente, tem que ser encerrado ou se deve ser reaberto para dar prosseguimento às investigações. Eu não estou contente com as conclusões, mas não sou autoridade policial. Eu não presido o inquérito. O inquérito é uma ferramenta que tem que seguir normas técnicas e tem que obedecer certos pressupostos da legislação penal. O que orientei ao secretário de Segurança Pública (João Eloy) é que a polícia tem que ficar inteiramente à disposição do MP para realizar toda e qualquer nova investigação que o MP determinar", disse. Lembrado das suas declarações no sentido de o responsável pela morte ser punido, Déda observou que não há nenhuma ação oficial que não seja na busca das responsabilidades. "Agora, o delegado que presidiu o inquérito disse que não encontrou vínculos de provas que ligasse um ou mais policias àquele massacre. Um governador do Estado não pode determinar a abertura e nem o fechamento do inquérito. Só o Poder Judiciário, só o Ministério Público, como dono da ação penal, pode determinar a reabertura do inquérito para que o promotor possa denunciar aqueles que ele entender que estão de algum modo vinculados ao assassinato. Sem identificação de autoria não tem como se aplicar a punição", disse. "A polícia só faz o buraco" Déda comentou uma frase que está sendo atribuída ao comandante da Polícia Militar de Sergipe, o coronel Maurício Iunes: "a polícia só faz o buraco, mas quem mata é Deus". Segundo o governador, foi uma frase infeliz que o comandante já cuidou de explicar, inclusive buscando o testemunho de vários empresários que estavam no evento. "A frase é isolada. Tirada do seu contexto leva a interpretações equivocadas. É bom lembrar que não há ninguém que denuncie em Sergipe uma política oficial de extermínio ou execução de suspeitos. Não tem um registro de que haja uma política deliberada com orientação do comandante da polícia ou do secretário de segurança pública ou de qualquer outra autoridade de segurança pública no sentido de eliminar suspeitos e estimular grupos de extermínio", observou. Déda salientou que uma frase isolada não significa nenhum tipo de posição do comandante da Polícia Militar. "Pode ser até uma piada de humor negro dita numa hora equivocada, mas não traduz nem reflete o padrão de ação da PM. O próprio Governo do Estado tem na Assembleia Legislativa um projeto de criação de uma corregedoria unificada de polícia, que não seria vinculada nem a Polícia Militar e nem a Polícia Civil. Ficaria diretamente vinculada ao gabinete do governador. É uma importante ferramenta para inibir os excessos que possam ocorrer nas polícias, e, ao mesmo tempo, avançar no combate a impunidade", disse. De acordo com o governador, a sociedade tem conhecimento das medidas de ordem legal que o governo tem mandado para Assembleia Legislativa na busca de leis que possam proteger a própria sociedade. "E, ao mesmo tempo, garantir que a polícia tenha o carinho e o respeito de todos os sergipanos sendo uma polícia que respeita os direitos humanos e que só se vale da força quando é para preservar a vida de terceiros e a dos próprios policiais", finalizou. Da redação Universo Político.com












