Polêmica no Senado: lei dos medicamentos em supermercados põe população em risco.

"Se não puder ajudar, atrapalhe. O importante é participar." Parece que foi com essa linha de pensamento que os senadores aprovaram o Artigo 8º da MP 594/11, que dá permissão a supermercados, armazéns, empórios e lojas de conveniência, para venderem medicamentos isentos de prescrição médica, como analgésicos e antigripais. Essa medida põe em risco a saúde e a vida do paciente. Siga o raciocínio: o indivíduo compra uma Dipirona para o seu bebezinho que está doente; ele é analfabeto e não sabe ler; mas ele está acostumado a tomar 35 gotas de Paracetamol para sua febre; logo ele pensa "vou dar também 35 gotas dessa dipirona, é tudo a mesma coisa, serve pra febre"; final da história: a criança pode morrer. Se isso acontecesse na farmácia, com certeza, haveria alguém instruído para orientá-lo e dar a informação de modo correto. Mas, e agora, você vai perguntar ao caixa na hora em que estiver passando as compras: "seu caixa, como é que eu tomo isso?". Absurdo, caros senadores. É uma pena que uma medida provisória tenha sido votada pensando apenas no dinheiro, haja vista que o foco principal da medida é a isenção de impostos cobrados sobre alguns produtos. Mas, poderia pensar um pouquinho no risco em que as pessoas podem estar submetidas. O brasileiro é um dos povos que mais se automedicam no mundo, situação que gera um alto número de intoxicações medicamentosas. Essas intoxicações podem variar de um leve mal-estar até à morte. Com essa medida, fica claro que a automedicação só tenderá a aumentar. Como essa decisão causou muita polêmica entre os próprios senadores, profissionais de saúde e demais pessoas, acredito que a presidente Dilma deva vetar a medida. É lamentável que estejamos retrocedendo no país. Isso aqui é uma palhaçada. O circo está armado, e os palhaços somos nós. Jeferson Machado. Palhacêutico digo, Farmacêutico, CRF-SE: 658.












