"Vamos provar que o Estado tem condições de pagar o piso salarial"


compartilhe

Por Joedson Telles Ex-presidente e atual diretor de imprensa do Sintese, o professor Joel Almeida comenta o atual momento do magistério, que trava um duelo contra o governo do Estado, tentando a extensão dos 22,22% da revisão do Piso do Magistério para todos os professores. O argumento do Estado de que não tem como pagar a conta não convence o Sintese, que tenta, agora, mostrar ao governo que na própria folha de pagamento da Educação pode estar uma solução. "Vamos encaminhar uma série de ações, inclusive fazer cálculos, para provar que o Estado tem condições de pagar o piso salarial, vamos apresentar casos de problemas diversos que acontecem na folha", disse. Os professores não desistiram...Tivemos uma assembleia que deliberou que os professores vão continuar na posição e que não aprovem a lei que está na Assembleia Legislativa, porque é uma lei que destrói a nossa carreira. O Estado mando um presente de grego, manda uma revisão de 6,5% para os professores de nível superior, ou seja, além de não contemplar os 22% que a gente pede, os 6% traz junto a ele a queda da carreira. Até esse mês de agosto, os professores estão recebendo um passivo trabalhista, de agosto do ano passado. A partir de setembro deste ano, se esse Projeto de Lei não for aprovado, os professores vão ficar com a mesma remuneração de dezembro de 2011, porque até agora não tivemos revisão. O governo conta com o fim do passivo trabalhista para que haja uma pressão da categoria junto ao sindicato para que se aprove em lei e junto assim a carreira. Os professores de um mês para outro vão ter suas remunerações reduzidas em virtude do fim do passivo. E qual a reação dos professores? A assembleia aprovou que os professores preferem ficar com a revisão em setembro para ter que aprovar os 6,5%, destruindo a nossa careira. Está aprovado em assembleia e, enquanto isso, vamos encaminhar uma série de ações, inclusive fazer cálculos, para provar que o Estado tem condições de pagar o piso salarial, vamos apresentar casos de problemas diversos que acontecem na folha salarial do estado e posterior vamos mostrar eu o governo pode pagar o piso, pode pagar a revisão do piso e manter a nossa carreira. O senhor fala sobre os cargos comissionados na Educação?A folha precisa passa por um pente fino, tem problemas de gerenciamento seriíssimos. Claro que o sindicato não está dizendo que as irregularidades são por mal uso de recurso, mas a irregularidade se dá por mal gerenciamento, e isso implica em às vezes pagar uma quantia volumosa a pessoas e a setores que não têm direito a receber. O outro problema são os dinheiros que vão para o ralo também, como, por exemplo, essa contratação da consultoria de Mares Guia. Mares Guia recebe por mês para tentar implementar um projeto personalista chamado índice guia que ele recebe R$ 18 mil por mês. Ele recebe mais que Belivaldo, que é secretário da Educação. Se eu fosse Belivaldo ficaria constrangido de pagar pela Secretaria de Educação a um consultor mais do que o salário dele. O salário do secretário de Educação é de R$ 12,5 mil, pelo menos é o que está na folha, e o de Mares Guia é R$ 18 mil, para ele fazer reunião e impor nas escolas o índice que ele criou. Mas o Sintese não já tem um diagnóstico da educação das escolas?O índice guia é um modelo para tentar controlar e padronizar escolas. Isso não funciona, e quando funciona é momentaneamente em determinados locais. A gente tem colocado além desse problema a forma que esse cidadão trata os espaços de debate que ele faz com os professores, com os sindicatos, com os parlamentares. Ele é um homem extremamente arrogante, autoritário, passa uma postura que chegou para resolver porque é o homem mais sabido e mais experiente da face da Terra, que todos devem ser subservientes a sua vontade. Ele tem um perfil muito parecido com o do governador Déda: um homem bem falante, com uma conversa arrumada, arrogante, prepotente. Aí o sindicato já deixa claro para ele e para o governo que não adianta tentar impor uma política de Educação. Como se daria melhor este diálogo?A gente precisa ter espaços democráticos para discutir isso, porque assim como o Estado tem clareza que a nossa educação precisa melhorar, os educadores também têm e estão dispostos a contribuir para melhorar a educação. É preciso criar os espaços corretos para que se aça o debate sem personalismo, sem prepotência, sem arrogância. O espaço correto para que haja o debate é o Fórum Estadual de Educação. Até agosto do ano passado, o secretário Belivaldo instituiu o fórum por decreto. Esse fórum prevê a participação de diversos setores da sociedade para discutir essa política. O sindicato encaminhou os seus nomes há mais de um ano para participar do fórum. Até agora não aconteceu nenhuma reunião. Isso mostra que o Estado não quer debater a política de educação. Eles querem algo que interessa a eles, pegar um consultor para impor um modelo, e isso o sindicato não vai aceitar. Como o senhor avalia as declarações do líder do governo, Francisco Gualberto, que disse que "é preciso ver isso não com os olhos de quem quer marcar posição em uma eleição"?Francisco Gualberto, a cada momento, se perde no que ele próprio diz. Ele, hoje, só é ouvido pelos correligionários dele. É tanta contradição que só os aliados políticos é que vão ouvir. Os professores têm direito a ter pela lei nacional uma revisão de 22,22%. Nós não vamos aceitar que daqui a um ou dois anos, se esse projeto for aprovado, que professor de nível médio receba mais do que professor de nível superior. A gente quer que a lei seja cumprida, nós estamos mostrando os recursos, o estado de Sergipe tem recursos, aumentou muito o ICMS, se corrigir a folha de pagamento amplia a margem para pagar os 22,22%. Da redação Universo Político.com

Portal
Portal ITnet
© Copyright 2001-2026 Grupo ITnet
"Vamos provar que o Estado tem condições de pagar… | Portal ITnet