Greve na UFS leva MPF a pedir equipe mínima no Hospital Veterinário
Órgão pede à Justiça que UFS e comando de greve garantam equipe mínima para manter atendimentos essenciais no Hospital Veterinário.

O Ministério Público Federal (MPF) ingressou com uma ação civil pública na Justiça Federal para garantir o funcionamento mínimo do Hospital Veterinário Universitário (HVU), da Universidade Federal de Sergipe (UFS), localizado no campus de São Cristóvão. O órgão solicita, em caráter de urgência, que a universidade e o comando de greve assegurem a continuidade dos serviços considerados essenciais durante a paralisação dos servidores técnico-administrativos.
Segundo o MPF, a suspensão total das atividades no hospital compromete atendimentos indispensáveis à saúde animal e coletiva, além de representar riscos à biossegurança e ao controle de zoonoses. Entre os serviços afetados estão os atendimentos de urgência e emergência, a assistência a animais internados e em pós-operatório, exames diagnósticos e outras ações consideradas inadiáveis.
Na ação, o procurador da República Ígor Miranda destaca que, embora o direito de greve seja garantido pela Constituição, ele deve ser exercido sem comprometer serviços públicos fundamentais. “O direito constitucional de greve é legítimo, mas o seu exercício precisa ser compatibilizado com a preservação de serviços públicos fundamentais, cujas interrupções põem em risco direto à saúde coletiva e ao bem-estar animal”, afirmou.
O MPF informou que, antes de recorrer à Justiça, tentou solucionar a situação por meio de uma recomendação encaminhada à Reitoria da UFS, à direção do Hospital Veterinário e ao comando da greve. O documento orientava a elaboração de um plano de contingência com escalas de revezamento e definição de uma equipe mínima para manter os atendimentos essenciais. De acordo com o órgão, as medidas não foram adotadas.
A ação também destaca manifestações da Procuradoria Federal junto à UFS e do Conselho Regional de Medicina Veterinária de Sergipe (CRMV/SE), que apontam a necessidade de preservar os serviços indispensáveis durante o movimento grevista. Conforme o conselho, a paralisação total é incompatível com as responsabilidades técnicas e éticas da Medicina Veterinária, especialmente em atividades relacionadas ao atendimento de urgências, continuidade de tratamentos, biossegurança e controle de zoonoses.
Outro argumento apresentado pelo MPF é que, segundo dados do Fórum de Diretores de Hospitais Veterinários Universitários, aproximadamente 95% dessas unidades no país mantiveram funcionamento total ou parcial, com equipes mínimas, durante a greve.
Diante desse cenário, o Ministério Público Federal pede que a Justiça determine a elaboração e execução imediata de um plano de contingência, garantindo força de trabalho suficiente para assegurar os atendimentos veterinários inadiáveis e preservar os serviços essenciais prestados pelo Hospital Veterinário Universitário da UFS.
Com informações do MPF/SE
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