Mulher morta após ingerir sorvete com veneno foi vítima de feminicídio em Sergipe

Perícia identificou presença de aldicarbe na vítima e concluiu que suspeito não apresentou sintomas compatíveis com intoxicação.


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Mulher morta após ingerir sorvete com veneno foi vítima de feminicídio em Sergipe

A conclusão dos laudos periciais levou a Polícia Civil de Sergipe a reclassificar como feminicídio o caso da mulher encontrada morta após ingerir sorvete contaminado com veneno. O crime aconteceu no dia 20 de abril, e o principal investigado foi preso em 9 de maio.
As investigações tiveram início após a ocorrência ser apresentada como um possível suicídio envolvendo um casal. No entanto, ainda nas primeiras diligências, a versão começou a levantar dúvidas entre os policiais.
De acordo com o delegado Kássio Viana, responsável pelo caso, o homem relatou que a vítima enfrentava um quadro depressivo e teria proposto que ambos tirassem a própria vida. Segundo ele, os dois teriam ingerido sorvete misturado com veneno. Entretanto, a cena encontrada pelos investigadores não correspondia ao relato.

Enquanto a mulher já estava sem vida, o suspeito permanecia consciente e sem apresentar sinais compatíveis com intoxicação por chumbinho. As inconsistências motivaram o aprofundamento das apurações e a realização de exames periciais.
Os laudos produzidos pela Polícia Científica confirmaram a presença de aldicarbe — substância popularmente conhecida como chumbinho — no organismo da vítima. Inicialmente, exames microscópicos apontaram indícios de intoxicação, posteriormente confirmados por análises toxicológicas. Além disso, peritos realizaram estudos sobre os efeitos da substância e concluíram que uma pessoa que ingerisse o veneno nas mesmas condições apresentaria sintomas característicos, como salivação excessiva, tremores, convulsões e outras alterações graves no sistema nervoso.

Segundo o coordenador-geral de perícias, Victor Barros, a ausência completa desses sinais no investigado foi um dos elementos fundamentais para o esclarecimento do caso. A perícia concluiu que o homem não ingeriu o veneno, contrariando a versão apresentada por ele durante a investigação.

A Polícia Científica também elaborou laudos de computação forense, que analisaram conversas relacionadas ao caso e contribuíram para a produção de provas.
Outro ponto destacado pela investigação foi a incompatibilidade entre o relato do suspeito e os efeitos conhecidos do aldicarbe. Conforme a versão apresentada por ele, após ingerir o veneno teria apenas dormido, situação considerada improvável diante dos sintomas normalmente provocados pela substância. 

Com base no conjunto de provas técnicas e investigativas, a Polícia Civil concluiu que a mulher foi vítima de feminicídio.



Com informações da SSP

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