SUS pode liberar nova injeção contra HIV ainda este ano
Cabotegravir será avaliado pela Conitec e pode ampliar a prevenção ao HIV com aplicação a cada dois meses pelo Sistema Único de Saúde.

O Sistema Único de Saúde (SUS) pode ganhar ainda este ano uma nova opção para prevenção do HIV. O Ministério da Saúde pretende encaminhar à Comissão Nacional de Incorporação de Novas Tecnologias no SUS (Conitec) o pedido de inclusão do cabotegravir, medicamento aplicado por injeção que oferece proteção prolongada contra o vírus.
Diferente da PrEP oral, já disponibilizada pelo SUS e utilizada em comprimidos diários, a nova tecnologia permite a aplicação do medicamento a cada dois meses. O cabotegravir atua impedindo a multiplicação do HIV no organismo, reduzindo o risco de infecção.
Antes de uma possível oferta na rede pública, a Conitec fará uma análise sobre critérios como eficácia, impacto financeiro e custo-benefício da incorporação do tratamento. A comissão emitirá uma recomendação, mas a decisão final caberá ao Ministério da Saúde.
Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, o governo ainda negocia com a farmacêutica GSK, responsável pela produção do medicamento, os valores e a quantidade de doses que poderão ser adquiridas. De acordo com ele, a empresa apresentou uma proposta considerada adequada pelo governo.
Lenacapavir ficou fora da negociação
Durante a discussão sobre novas tecnologias de prevenção ao HIV, o Ministério da Saúde também avaliou o lenacapavir, outro medicamento de ação prolongada que oferece proteção por até seis meses. No entanto, segundo Padilha, o custo apresentado pela fabricante foi considerado inviável para o SUS.
O ministro afirmou que o Brasil chegou a avaliar valores superiores aos oferecidos a países com perfil semelhante, mas a negociação não avançou. A pasta decidiu não assumir um custo considerado elevado para a incorporação do medicamento.
O lenacapavir foi testado no Brasil e é apontado por organizações internacionais como uma ferramenta importante no combate à epidemia de Aids. A ausência do país em um acordo de licenciamento voluntário firmado pela farmacêutica Gilead, que permitiu a produção de versões genéricas do medicamento para outros países, gerou críticas de entidades ligadas ao enfrentamento do HIV.
Em nota, a Gilead informou que busca ampliar o acesso ao lenacapavir na América Latina e no Caribe e afirmou que o Brasil está entre os países avaliados para possíveis parcerias de fabricação. A empresa também assinou um memorando de entendimento com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) para estudar possibilidades de transferência de tecnologia.
PrEP injetável tem maior adesão, aponta estudo
Atualmente, o SUS oferece a PrEP em comprimidos de uso diário. Mais de 350 mil pessoas já tiveram acesso ao método, que apresenta eficácia comprovada na prevenção do HIV quando utilizado corretamente.
A principal vantagem da versão injetável está relacionada à adesão ao tratamento. Um estudo da Fiocruz, realizado com cerca de 1,4 mil participantes em seis cidades brasileiras, mostrou que 83% preferiram a aplicação por injeção em vez dos comprimidos.
A pesquisa também apontou que 94% dos participantes compareceram às unidades de saúde no prazo correto para receber as doses, mantendo a proteção durante o acompanhamento. Nenhuma pessoa incluída no estudo foi infectada pelo HIV.
Outro levantamento divulgado pelas farmacêuticas responsáveis pelo desenvolvimento do medicamento indicou alta eficácia do cabotegravir, com uma taxa anual de infecção pelo HIV de aproximadamente 0,1% entre os usuários acompanhados.
Com informações da Agência Brasil
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