Cortar o comprimido pode oferecer risco à saúde.

Certa vez, peguei uma receita de um médico que indicava que o paciente utilizasse metade do comprimido de manhã e metade à noite. Como não existia um medicamento com a metade da dosagem, recomendei ao paciente que fosse a uma farmácia de manipulação para fazer os comprimidos na dosagem correta, pois dividir o comprimido não é legal. Esse paciente ignorou o meu conselho e ainda disse que eu proibia as pessoas de partirem o comprimido ao meio, que era para elas tomarem o comprimido inteiro, a caixa acabar logo e elas voltarem para comprar mais. Saiu da farmácia e nunca mais voltou. O hábito de cortar os comprimidos, geralmente ao meio, é muito comum, principalmente nos hipertensos e diabéticos. O que o paciente acima, assim como tantos outros não imaginam é que esse hábito pode ser danoso à saúde. Pesquisadores da Ghent University na Bélgica pediram a cinco voluntários que partissem oito comprimidos de diferentes tamanhos e formatos, utilizados para o tratamento de doenças como trombose, artrite e síndrome de Parkinson. Foram usadas três técnicas diferentes: uma faca de cozinha, uma tesoura e um cortador de comprimidos. A pesquisa descobriu que 31% dos comprimidos cortados eram diferentes da dosagem correta. Quando um medicamento é cortado, amassado ou triturado, a dosagem pode ser alterada e também a maneira como o organismo absorve o medicamento. Alguns até conseguem dividir o comprimido no meio certinho e por igual, principalmente quando o medicamento tem aquele sulco bem no meio. Contudo, mesmo assim a dose pode ser maior ou menor, isso porque um comprimido não apresenta necessariamente a mesma concentração das substâncias nas duas metades, podendo ter uma variação muito grande. Abrir uma cápsula ou triturar um comprimido também pode ser danoso. Alguns medicamentos são feitos para agirem aos poucos, mas quando são triturados ou retirados da cápsula, vai tudo de uma vez para o organismo. Por isso, a recomendação é que o medicamento seja consumido da maneira que vem na embalagem. Jeferson Machado.Farmacêutico, CRF/SE: 658.













