Decisão sobre retirada de capela na Praia do Saco mobiliza comunidade e autoridades em Estância

Decisão aponta irregularidade ambiental e risco de erosão costeira na Praia do Saco


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Decisão sobre retirada de capela na Praia do Saco mobiliza comunidade e autoridades em Estância

A decisão da Justiça Federal de retirar a Capela de Nossa Senhora da Boa Viagem, na Praia do Saco, em Estância, não mexe apenas com uma construção à beira-mar — ela atinge diretamente a história, a fé e a memória afetiva de moradores e visitantes da região.

O templo, que há séculos faz parte da paisagem e da vida da comunidade, terá que ser desmontado após a Justiça entender que ele está em uma área onde não é permitido construir. Além disso, o avanço do mar e a erosão costeira aumentaram o risco de danos à estrutura, o que também pesou na decisão.

A sentença determina que a capela seja retirada do local, com reaproveitamento dos materiais, e reconstruída em um ponto considerado seguro. Também ficou estabelecido que a área onde está hoje deverá passar por um processo de recuperação ambiental.

Mas, para além da questão técnica e ambiental, o caso tem provocado forte repercussão. Para muitos moradores, a capela representa mais do que um espaço religioso — é um símbolo cultural, histórico e até turístico da região.

A Diocese de Estância informou que recebeu a decisão e já iniciou uma análise jurídica. A instituição destacou que respeita o posicionamento da Justiça, mas reforçou a importância da capela para a comunidade e não descarta recorrer.

A Prefeitura de Estância também reagiu. Segundo o procurador do município, Alysson Leite, a decisão causou surpresa, principalmente porque a capela já havia passado por um processo de reforma e adequação recente, com apoio da própria comunidade. Ele lembrou ainda que o local tem mais de 400 anos de história e é considerado patrimônio do município.

Enquanto isso, o Governo do Estado, por meio da Procuradoria-Geral, informou que busca uma solução que equilibre a preservação ambiental com a valorização do patrimônio histórico. Um acordo com o Ministério Público Federal chegou a ser firmado, mas ainda depende de validação da Justiça.

Agora, o futuro da capela segue indefinido. De um lado, a necessidade de proteger o meio ambiente e evitar riscos. Do outro, o desejo de preservar um espaço carregado de significado para quem vive e frequenta a Praia do Saco. O caso deve continuar repercutindo e promete novos desdobramentos nos próximos dias.

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