O Jornal OMNIA produz uma matéria sobre o choque do avião na serra de Itabaiana.


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O Jornal OMNIA completou um ano no mês de março e nos presenteou com uma reportagem completa sobre o acidente aéreo na Serra de Itabaiana em 1981. Vários relatos, documentos, fotos antigas, pedaços da aeronave e personagens daquele fato que chocou o estado. Em meio às buscas, o professor e jornalista Robério Santos encontrou um Jornal de Sergipe da época e que relata com detalhes o acontecido. Acompanhem agora a reportagem resgatada pelo jornal OMNIA. Quer ler o jornal inteiro? Clique aqui e baixe ele na íntegra ou vá até a banca de Jackson na Praça João Pessoa e adquira a sua. CORPOS FORAM TRANSLADADOS PARA SALVADOR EM PEDAÇOSOs corpos de Renée Calwetti, Irineu neto, Nicolau Mufford Ribeiro e Benedito Sá Souto, foram transladados aos pedaços, ontem em avião da própria empresa, Abaeté Táxis Aéreos Ltda., para salvador, onde foram enterrados ainda ontem à tarde. Os corpos foram encontrados aos pedaços em uma grande área da serra de Itabaiana, onde ocorreu o acidente, na noite de quarta-feira passada. Ontem, na serra, tudo o que restava do avião - um amontoado de ferros velhos - foi encontrado por equipes da FAB e do Corpo de Bombeiros. (página 02) Uma vez encontrados os corpos, ou o que restou deles, a tarefa era encontrar um meio de descer a serra quase vertical com os restos mortais dos passageiros e tripulantes do avião, sem por em risco a Própria vida. Alguém deu a ideia de que não adiantava subir a serra levando as urnas mortuárias; o melhor seria levar sacos e colocá-los depois nos caixões que ficariam à espera no pé da serra. O trabalho foi iniciado, alguns bombeiros continuavam a reclamar do odor putrefato dos corpos que se fazia sentir cada vez mais forte. Aqui e ali, a equipe de resgate encontrava pedaços da vítima e colocavam nos sacos, os pedaços maiores eram partes dos troncos retorcidos, cortados do umbigo até às virilhas a completamente queimados, sendo impossível tentar qualquer identificação, ou mesmo descobrir se eram homens ou mulheres. As quatro cabeças dos dois passageiros e dois tripulantes foram encontradas também completamente retorcidas e chamuscadas sendo que a identificação só foi possível devido aos vestígios dos cabelos que ainda se faziam notar. Um dos corpos estavam completamente esmigalhados foi impossível encontrar outras partes dele. Uma vez recolhido o máximo de pedaços de corpos, os homens que resgatavam as vítimas desceram a serra e depositaram os sacos nos caixões que se encontravam ao pé da serra. Enquanto isto, curiosos bombeiros e até policiais procuraram resgatar algumas partes do avião para tentar vender. Partes da fuselagem, asa, motor e pneus foram recolhidos pelos que estavam na busca de algo valioso. Alguns bombeiros chegaram inclusive a perguntar aos curiosos onde estavam os relógios que cada uma das vítimas usavam, surgindo inclusive uma breve confusão entre bombeiros e pessoas estranhas que queriam conseguir algo de valioso. Às 11 horas as equipes de resgate trouxeram os restos mortais das vítimas para Aracaju e uma vez embaladas seguiram com seus familiares com destino a Salvador. Os parentes de Renée Calwetti, 30 anos, Irineu Neto, 23 anos, Nicolau Mufford Ribeiro e Benedito Sá Souto, 40 anos, acompanhavam as buscas desde as primeiras horas da manhã de ontem quando chegaram a Aracaju em um bimotor da Abaeté, mesma companhia a qual pertencia o avião que colidiu com a serra. Sabe-se que tripulantes e passageiros iriam pernoitar em Aracaju uma vez que Nicolau Mufford era engenheiro civil do Baneb - Banco do estado da Bahia, e pretendia vistoriar as obras de construção de uma agência daquele banco em Aracaju. O avião procedia de Paulo Afonso com destino a Aracaju quando se chocou contra o rochedo da Serra de Itabaiana e tinha feito outras escalas em Pedro Alexandre e Cipó. Segundo algumas testemunhas, o avião da Abaeté voava muito baixo sobre Itabaiana e alguns chegaram inclusive a imaginar que se ele não procurasse subir mais um pouco, com certeza bateria contra o único maciço geológico de altitude e porta destacados em Sergipe. A Serra de Itabaiana fica a 60 quilômetros de Aracaju e tem 800 metros de altura. Uma testemunha ocular afirmou que por volta das 17 horas já parecia noite na serra de Itabaiana. As nuvens eram espessas e a visibilidade reduzia-se a zero. Quem olhava para a serra, mesmo de perto, pensava que se tratasse apenas de nuvens e não de um maciço rochoso. Ainda de acordo com algumas testemunhas, o avião continuou rumar em direção à serra e quando aproximou-se mais, ao que parece, o piloto percebeu que não eram apenas nuvens que se encontravam à frente e tentou subir de imediato, quando já era tarde e sua cauda terminou colidindo com a terra. Outras testemunhas afirmaram que um dos motores do aparelho havia apresentado defeito e por isto o piloto não conseguiu ultrapassar a serra. No entanto, de acordo com informações do departamento de proteção ao Vôo do Aeroporto Santa Maria, o piloto do avião havia se comunicado poucos minutos antes com o aeroporto e havia afirmado que estava tudo bem e que pousaria dentro de cinco minutos em Aracaju... Uma edição: Jornal OMNIAUma produção : Robério  Barreto

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