Receitas ilegíveis: descuido que pode gerar um risco grave à saúde do paciente.


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Estudos realizados pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) revelam que 24% das pessoas que vão ao médico não sabem dizer o que lhes foi prescrito. Segundo o estudo, além de não entenderem o que foi dito durante a consulta, os pacientes sofrem com outro problema: a dificuldade em entender a letra do médico no receituário. Alguns pacientes ainda chegam a reclamar ao médico que não entendem o que está escrito, e muitas vezes a resposta é algo semelhante a: "quando chegar à farmácia, o farmacêutico vai saber do que se trata". Nem sempre, caros doutores. Sem contar que de acordo com o Código de Defesa do Consumidor, as informações de prestações de serviço devem estar claras ao consumidor, e não somente ao farmacêutico. Já tive casos em que cheguei a enviar a receita via fax para outra farmácia para ver se eles entendiam. Erros no entendimento da receita já provocaram casos de intoxicações graves, inclusive com morte. O Conselho Federal de Medicina admite o problema. Tem até punição prevista no código de ética. A lei que obriga a legibilidade nas receitas médicas já existe há mais de 70 anos, decreto 20.931 de 1932. Além disso, o artigo 35 da lei 5.991 de 1973 e o artigo 39 do Código de Ética Médica, também condenam a emissão de receitas ilegíveis. Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), metade dos medicamentos que circulam no mundo foi prescrita, administrada ou vendida incorretamente. Unesp vai ensinar alunos a prescrever medicamento. Um curso, que está sendo implantado na Faculdade de Medicina da Unesp, em Botucatu, terá como objetivo acabar com a ilegível letra de médico e outras inadequações na prescrição de medicamentos - como doses excessivas, ou que causem interação entre si. Como denunciar Baseado nas normas existentes, o paciente que se sentir prejudicado pela ilegibilidade do receituário pode denunciar o médico ao Conselho Regional de Medicina do seu estado. No estado de Sergipe, o órgão é o CREMESE, situado na Rua Boquim, 589, Centro, Aracaju-SE. O telefone é o (79) 3212-0700 e o e-mail: contato@cremese.org.br Por fim, gostaria de parabenizar aos colegas médicos, que também são inúmeros, que tratam de se preocupar em prescrever uma receita legível e racional. E peço, encarecidamente, que se você ainda pratica o hábito do "hieroglifo" que, por favor, preze pela saúde do seu paciente, e se esforce um pouquinho mais a caligrafia. Uma alternativa pode ser o uso de receitas digitadas e impressas em computadores. Jeferson Machado.Farmacêutico, CRF-SE: 658.

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