Uso da pílula do dia seguinte exige alguns cuidados.

O contraceptivo de emergência, conhecido popularmente por pílula do dia seguinte, é um medicamento indicado para casos onde acontece acidentalmente o contato do sêmen com a vagina, como nos casos em que a camisinha estoura. Entretanto, seu uso está se tornando frequente e de forma indiscriminada. A pílula do dia seguinte só deve ser utilizada em emergências, e não como um anticoncepcional convencional. Costumo chamar a pílula de "bomba de hormônios", e pode gerar graves riscos à saúde da mulher. Para entendermos melhor essa questão, vou comparar dois anticoncepcionais com o hormônio levonorgestrel em sua formulação. Na pílula comum, tomada diariamente, cada comprimido contém 0,1 mg da substância. Na pílula do dia seguinte, encontramos 1,5 mg do mesmo hormônio. Ou seja, tomar uma pílula do dia seguinte seria o mesmo que tomar 15 (QUINZE !!!) pílulas convencionais. A elevada concentração de hormônios causa diversos efeitos colaterais, já que desregula o ciclo normal do corpo da mulher. A alteração no ciclo menstrual e no tempo da ovulação torna impossível de calcular o período fértil, e o dia da menstruação. Geralmente a menstruação atrasa alguns dias, dando a sensação de que a pílula não funcionou e a mulher está grávida. Dor de cabeça, retenção de líquido, sensibilidade nos seios, náusea e vômito também podem surgir após o uso dessa pílula. Seu uso indiscriminado pode fazer com que ela perca a eficiência, e o pior, pode trazer complicações em gravidez futura. A quantidade excessiva de hormônios aumenta a probabilidade de uma futura gravidez ectópica (quando o bebê é gerado fora do útero). Caso seja ingerida junto com anticoncepcional comum, pode causar danos mais sérios como trombose (coágulo grave nos vasos sanguíneos). Mas, se o seu caso for realmente uma emergência, a pílula do dia seguinte possui uma efetividade de quase 95% se tomada nas primeiras 24 horas, após a relação sexual desprotegida ou acidental, e pode eventualmente ser tomada até 72 horas após a relação. Vale alertar que nem todas as mulheres podem fazer uso desse método, como, por exemplo, aquelas que têm doença no sangue, problemas vasculares, são hipertensas ou muito obesas. Consulte o seu ginecologista regularmente e oriente-se com o farmacêutico. Jeferson Machado.Farmacêutico, CRF-SE: 658.












