Usos do passado: a Orquestra Sinfônica de Itabaiana e a construção do futuro
Matéria enviada por Anderson da Silva Almeida em 12/01/2011 ás 05:17:49
Usos do passado: a Orquestra Sinfônica de Itabaiana e a construção do futuro
Anderson da Silva Almeida (Toquinha)
Exaltada e admirada por leigos e apreciadores da boa música, a Orquestra Sinfônica de Itabaiana OSI, sem dúvida, envaidece aqueles que aqui nasceram ou escolheram a cidade serrana para viver. Criar, administrar, manter, coordenar e fazer com que os sons da serra sejam propagados para além da montanha, evidentemente não é uma tarefa simples e requer organização, competência, dignidade, liderança e, acima de tudo, amor à arte, à cultura e ao ser humano. A tarefa de uma organização complexa como uma orquestra sinfônica vai muito além do caráter de educação musical, ela atinge o campo social e se constitui em um importante instrumento de inclusão. Certamente, manter as mentes das crianças e adolescentes ocupadas com notas musicais, evita que as drogas invadam esses cérebros e contribui sobremaneira para a formação de seres humanos mais conscientes do papel de cada um na sociedade. A formação de músicos profissionais passa a ter uma importância secundária, mas não deixa de ter seu significado. Para além dessas questões, uma organização que se vangloria do seu passado longínquo, não pode esquecer-se de seu presente e de seu passado recente. O aprimoramento e a elevação do nível técnico dos músicos deve sim ser fruto do intercâmbio com profissionais de outros centros que estejam interessados em contribuir para engrandecer o nome da instituição. Para isso, também é justo que sejam remunerados e sintam-se valorizados em suas atividades. O que não se deve e não se pode fazer, no presente e no futuro, é desprestigiar os da casa, os jovens itabaianenses que dedicam horas e horas de estudos para a boa execução de seus instrumentos. É de extrema importância valorizar os filhos da terra, os ceboleiros, agresteiros e sergipanos. Também seria justo e prudente reconhecer o trabalho e a importância dos antigos, dos veteranos da casa. Mas, pelo contrário, o que vemos ano a ano, é a saída de muitos músicos itabaianenses da instituição (voluntariamente ou não) após décadas de dedicação à arte musical. Uma geração de amigos, compadres, companheiros e, acima de tudo, homens e mulheres de bem, não pode e não deve ficar renegada ao ostracismo e ser varrida da história musical de Itabaiana. Entre eles, músicos profissionais graduados e pós-graduados nas diversas instituições musicais do país, professores universitários, engenheiros, militares, advogados, médicos e profissionais liberais em geral. Alicerçada no passado bi-centenário da Sociedade Filarmônica Nossa Senhora da Conceição, a OSI eleva o nome da cidade e faz com que os itabaianenses, pouco ligados à importância do que é histórico e dos bens imateriais, sintam que o pretérito não é algo morto. Ele está aí, mais vivo que nunca. Renegar o passado recente e, acima de tudo, o presente, certamente não é o melhor caminho. Que os digníssimos e ilustres dirigentes e músicos atuais da instituição - alguns meus amigos e ex-professores - defensores da arte e da história, não deixem manchar esta página no livro de ouro da história musical de Itabaiana. Vida longa à OSI, à Banda do Murilo Braga, à SFNSC!












